Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87
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A missão de Allan Kardec

novembro/2013 - Por Mary Ishiyama

Esta é uma das preciosidades que Carlos Imbassahy escreveu e entregou à publicação pela Federação Espírita do Paraná – FEP, revertendo o lucro para as obras beneficentes e para a divulgação do Espiritismo.

Obra riquíssima e pouco conhecida, teve sua primeira edição em 1957. A segunda data de 1988, em comemoração aos 130 anos de O livro dos Espíritos, completados a 18 de abril do ano anterior.

Essa é uma edição conjunta das Federativas do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, União das Sociedades Espíritas de São Paulo e Rio de Janeiro, permitindo uma impressão de vinte e quatro mil exemplares, com prefácio do então Presidente da FEP, Walter do Amaral.

O autor dedica a obra a Canuto de Abreu, a quem se refere como o maior conhecedor da vida, da obra e dos trabalhos do Codificador da Doutrina Espírita, e a João Ghignone, confrade sincero, bom amigo, honesto e incansável trabalhador que, em prol da Causa tem como patrono Allan Kardec, e não poupa o seu tempo, a sua tranquilidade, os seus bens, a sua saúde.

Imbassahy divide a obra em duas partes, na primeira enfocando os precursores, a imperiosa necessidade do advento espiritual, Hydesville, Pestalozzi, Allan Kardec, João Huss, iniciação no Espiritismo, algumas notas de Canuto de Abreu, o Plano de O livro dos Espíritos, bases doutrinárias, princípios do Espiritismo, réplicas e proibições, e a gênese doutrinária

A obra é de ricos conhecimentos, reproduzindo alguns escritos do Codificador e os comentando, a título de ensino.

No capítulo Réplicas e proibições, cita Kardec, em palavras de atualidade: Uma questão (…) que se apresenta a primeira vista, é a dos cismas que poderão nascer no seio da doutrina. O Espiritismo será deles preservado? Não, seguramente, pois que terá, principalmente, no começo, de lutar contra as ideias pessoais, sempre intransigentes, tenazes, difíceis de se harmonizarem com as ideias de outrem, e contra a pretensão dos que querem ligar, a todo custo, o próprio nome a uma inovação qualquer, que inventam novidades só para poderem dizer que não pensam e não fazem como os outros, ou porque o seu amor próprio se revolta por terem de ocupar um lugar secundário.

Enfoca, nesse particular, a resposta de Kardec aos detratores do Espiritismo, no claro propósito de esclarecer, replicando aos contraditores.

Referindo-se a proibições, como a da música em reuniões, conferências, solenidades e estudos espíritas, afirma que essa condenação não faz parte do ensino dos Espíritos. Porque Arte é sensibilidade. Ela nos prepara para indizível e surpreendente felicidade espiritual, que é a de poder ver, escutar e sentir os deslumbramentos que o Criador nos oferece nos quadros maravilhosos do Espaço.

Na segunda parte do livro, o autor enfoca as Objeções à Doutrina, os ataques pessoais a Kardec, esclarecendo sobre o trabalho em equipe realizado para a codificação do Espiritismo: Espíritos e homens, entendendo-se aqui os mais de dez médiuns que prestaram concurso ao nascimento de O livro dos Espíritos.

Os sempre pontos de importância no trato com a Espiritualidade, conforme os ditames kardequianos, se evidenciam, como o critério da análise da linguagem e da lógica para se identificar a qualidade dos Espíritos comunicantes.

No capítulo Livro negro do Espiritismo, sem citar a autoria, Imbassahy analisa as tantas inverdades apresentadas e os fatores em que se baseia a obra, que gerou controvérsias à época de sua publicação, com respeito à Doutrina nascente:

1 – se a evocação dos Espíritos é um fato indiscutivelmente provado;

2 – se o médium ou médiuns que serviram de instrumento para a revelação espírita eram pessoas de absoluta confiança e credibilidade;

3 – se para a doutrina foram aproveitadas apenas as mensagens dos Espíritos, certamente sinceros, bons, sábios e competentes; e

4 – se o codificador era homem intangivelmente honesto, correto, leal, codificando, apenas, as comunicações de Espíritos superiores.

Pesquisadores e estudiosos como Ernesto Bozzano, Alexandre Aksakof, Camile Flammarion, Oliver Lodge, Arthur Conan Doyle, Henri Regnault, William Crookes, César Lombroso têm suas obras e ideias citadas, em sucinto apanhado.

É um desfilar de experiências, de lógica, que nos remete àqueles dias iniciais do estabelecimento da Doutrina Espírita, na Terra.

Segundo Francisco Raitani, que prefaciou a primeira edição, “A Missão de Allan Kardec” é bem a prova de amor de Carlos Imbassahy pelo Espiritismo e por Allan Kardec.

Considera que a obra é valiosa contribuição, destinada a ser compulsada com proveito por todos aqueles que se interessam pelos magnos problemas do espírito. Carlos Imbassahy tem a virtude do escritor de bom quilate, seguro no escrever, firme na argumentação, paciente no revide à capciosa crítica do adversário, e profundo conhecedor da vida e da obra de Allan Kardec.

É trabalho de mestre.

E, em conclusão, Imbassahy lembra trecho de Gino Trespioli, que assim traduz: Saúde física, estima pública, paz em família, florescentes condições econômicas, dignidade social, satisfações e triunfos, nada do que nos ocupa e preocupa todos os dias e por que lutamos como por coisas sem as quais a vida seria um tormento, nada pode representar o valor que há em saber-se o que nos sucederá depois da morte.

 

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