Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87

A misericórdia Divina ali faz morada

janeiro/2018

A faculdade mediúnica é atributo do Espírito, que o corpo físico reproduz nas suas conformações orgânicas, como recurso em potencial, possibilitando, assim, o intercâmbio entre os seres que estagiam em áreas de vibrações diferentes, especialmente os desencarnados, por intermédio daquelas pessoas que apresentam-na com certa ostensividade, diferenciando-a dos demais, quanto às possibilidades pessoais, uma vez ser a faculdade mediúnica inerente a todos os seres humanos, porém, em alguns, com expressão muito sutil, imperceptível.

Ela prescinde das qualidades morais do seu portador e encontra-se por todo o mundo, mas ignorada e malbaratada por grande parte da Humanidade.

No seu corpo doutrinário, o Espiritismo a tem como ponto basilar, como princípio, pois tem a comunicabilidade dos Espíritos como um postulado.

Em decorrência disso, no contexto do Espiritismo, a mediunidade assume seu verdadeiro papel na escala de importância, de consideração e de respeito, e vem estudada com zelo e dedicação, pari passu com o estímulo à transformação moral para melhor de todos seus adeptos, ensejando-lhes conhecimento e prática do amor, sob a égide de Jesus, o Cristo de Deus, nas letras da Boa Nova, essência da Doutrina dos Espíritos.

Por conseguinte, as chamadas reuniões mediúnicas, que se dão na intimidade das atividades de quase todas as Casas Espíritas, preservam a seriedade e o compromisso ético-moral no trato com os sentimentos humanos, característica das ações espíritas, de modo geral.

As pessoas que se vinculam também a essas atividades internas, guardam o entendimento da necessidade do seu envolvimento com o estudo continuado dos postulados e propostas espíritas, como sabem que tal labor se fundamenta na ação da caridade pura, para o que empreendem seus melhores esforços na conquista de virtudes pessoais, a fim de poderem interagir com os demais corações, conduzindo créditos morais perante os Soberanos Códigos da Vida, com a qualidade de quem não somente prega valores, mas os vivencia em sua prática diária, em todos os lugares e com todas as pessoas.

Os membros das reuniões mediúnicas não formam apenas um grupo de tarefeiros, mas, como espíritas que são, se congregam como numa pequena família, entendendo-se aí também, o grupo de Benfeitores Espirituais, consolidando essa ação conjunta, pela força da própria interdependência que há entre os encarnados e os desencarnados, num todo harmônico e coeso.

Cada um atendendo a parte que lhe diga respeito numa atividade desse gênero, principalmente fazendo de sua vida pessoal, ao longo de cada dia, um exercício continuado na aplicação dos valores morais preconizados pelo Espiritismo, conforme adotados da moral cristã, se faz fator de segurança e de eficiência no atendimento dos problemas humanos que ali se apresentem.

E ainda, mantendo sua mente enriquecida do aprendizado que edifica e amolda o caráter no bem e na bondade, assumindo suas emoções para que estejam em equilíbrio, agasalhando em seu coração o espírito da solidariedade, da fraternidade, da tolerância, e se apresentando à disposição do serviço do Cristo junto aos que apresentam suas necessidades, quer seja um amigo, um familiar, um estranho, estará se caracterizando como um discípulo de Jesus, que preconizou que estes seriam reconhecidos por muito se amarem uns aos outros.

Com esse perfil, os que se congregam para a prática mediúnica, naturalmente agirão com o disciplinamento que a gravidade da reunião necessita, com a unção do trabalhador a serviço do Bem Maior, com a dedicação e a fidelidade do portador do bálsamo precioso que será distribuído em cada ocasião, pensando feridas d’alma, acalmando aflições, consolando desesperançados, orientando os sem rumo nos caminhos da eternidade, despertando sentimentos nobres em corações endurecidos pela revolta e o ódio, refazendo conceitos em mentes enganadas, desvelando a realidade da vida e seu verdadeiro sentido, retirando os véus das ilusões existenciais. E ainda, depositando a semente do amor no canteiro de cada coração, para que venha a florir e resplandecer em breve o fruto da compreensão e união, entre os apartados pela intolerância, pela antipatia, pelas intrigas, pelos delitos emocionais, pelas traições, pelas desditas humanas, enfim.

O espírita cristão, componente de uma reunião mediúnica séria à luz do Espiritismo, sabe que: não basta presença, é preciso pertencimento; não basta frequência, é preciso assertividade; não basta saber, é preciso compreender; não basta gostar, é preciso amar; não basta pontualidade, é preciso presença que faz a diferença; não basta silêncio, é preciso foco e objetivo; não basta a explicação e o verbo fácil, é preciso Jesus no coração; não basta orientar, é preciso convidar para seguir junto pelo caminho que já se trilha; não está para doutrinar, e sim para auxiliar e socorrer.

Cada reunião mediúnica verdadeiramente espírita, é momento para se semear o bem e recolher-lhe as graças. É quando os dois planos da vida se encontram em unidade para que se vençam os óbices da mente e do coração, e, com disposição, coragem e determinação, seguir o Caminho da Verdadeira Vida, que é Jesus.

A misericórdia Divina ali faz morada.

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