Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2020 Número 1633 Ano 88

A luz do mundo

dezembro/2008

Ele, o Divino Mestre, poderia ter nascido em suntuoso castelo. No entanto, refugiou-se na singeleza de uma manjedoura.

Era esperado em Jerusalém como o mais poderoso dos príncipes, que trouxesse nas mãos ensanguentadas as cabeças dos vencidos, para o êxtase dos judeus. Contrariamente, fez-se modesto carpinteiro, mantendo as mãos limpas no trabalho da edificação do Reino de Deus.

Roma gostaria de tê-lo como destemido e vitorioso general que, a frente de suas legiões guerreiras, nela penetrasse, sob aplausos frenéticos, humilhando os que tombassem sob o peso da espada. Mas, a glória humana, tão transitória quanto mentirosa, não estava em suas sublimes aspirações. Desejava amar e servir, até que o madeiro infamante da crucificação o convocasse para o martírio supremo no Gólgota.

Repudiava a ambição, o  egoísmo e a acumulação de bens perecíveis, mostrando a ação das traças, da ferrugem e dos ladrões. Exemplificava! Tudo doava! Para o repouso da cabeça não tinha uma pedra sequer!

Segundo os textos evangélicos, chorou publicamente duas vezes.  Na antevisão da Jerusalém destruída e diante da dor de Maria, em Betânia, no célebre episódio da ressurreição de Lázaro. Demonstrava seu grandioso poder de sentir a dor alheia, como o fez, sempre socorrendo cegos, paralíticos, lunáticos, coxos e outras vítimas de passado delituoso.

Em “Paulo e Estêvão”, psicografia de Chico Xavier, Emmanuel traduz sua sublime missão, dizendo-nos que: “Os filósofos do mundo sempre pontificaram de cátedras confortáveis mas nunca desceram ao plano da ação pessoal, ao lado dos mais infortunados da sorte. Jesus renovara, com exemplos divinos, todo o sistema de pregação da virtude.

Chamando a si os aflitos e os enfermos, inaugurara no mundo a fórmula da verdadeira benemerência social”.

Quantas vezes terá chorado, na contemplação dos atuais quadros de intensos sofrimentos, no silêncio do seu magnânimo coração?

Por isso, quando dizemos amá-lo, necessário se torna não temermos a estreiteza da porta das provações. Fugir dos compromissos é adiar a própria redenção, porque ninguém foge de si mesmo, onde quer que esteja.

Protelar decisões é enganar a si próprio.

A água viva da fé que ele ofertou à samaritana, no poço de Jacó, na cidade de Sicar, para nós, hoje, é a mesma que brota de sua eterna generosidade.

Meditemos um tanto mais nesse novo dezembro que surge. Preces e evocações, em clima de festa, multiplicar-se-ão.

Uma vibração, raramente sentida, tomará conta do sentimento popular. No período natalino, nos tornamos mais fraternos, mais alegres e mais solidários. Por que não mantermos esse estado de espírito?

Dizem os cientistas que o planeta desprendeu-se da nebulosa solar, que lhe é um milhão e trezentas mil vezes maior, há mais de quatro bilhões de anos. O Senhor já era puro e, por isso, declarou: “Graças te rendo, meu Pai, pela luz que me deste antes desse mundo existir”.

Desde o início, tudo acompanha carinhosamente, como “guia e modelo” de toda a Humanidade.

Ao afirmar, com legítima autoridade, que é “o caminho, a verdade e a vida”, ele não mentiu.

Segui-lo, conquistando as virtudes exortadas pelo seu Evangelho, a mais completa síntese das leis do Criador,  é um ato de grandiosa inteligência, porque ele é o orientador dos nossos destinos, a Luz do Mundo.

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