Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

A importância das tarefas e do tempo

julho/2013 - Por Antônio Moris Cury

Todos nós temos tarefas a cumprir, sejam mínimas, médias ou máximas. Muitos costumam rotulá-las, de conformidade com a importância que a elas atribuem, achando-as simples ou não, difíceis ou não, complexas ou não, importantes ou não etc. Cremos, no entanto, que há um equívoco nessa aleatória e exemplificativa divisão, uma vez que todas as tarefas, sem exceção, são importantes, por uma boa e fortíssima razão: no planeta Terra, por exemplo, todos nós que aqui nos encontramos encarnados vivemos sob o regime da interdependência, ou seja, dependemos  uns dos outros, direta ou indiretamente, ainda que alguns não o percebam, saltando aos olhos, entretanto, para quem procura manter-se constantemente atento, a importância da diversidade das tarefas, dos trabalhos, das atividades de cada um para que haja equilíbrio e harmonia nas relações humanas e sociais.

No próprio meio espírita, por incrível que pareça, há quem considere certas tarefas de menor importância. Todavia, para que a Casa Espírita funcione adequadamente é indispensável que todas as tarefas sejam bem desempenhadas, a começar pela limpeza e pelo asseio de suas instalações, pela organização completa de tudo, em seus mínimos detalhes, para que se torne apta a receber os indivíduos que ali comparecerão, sejam trabalhadores, frequentadores ou simpatizantes e, principalmente, os que nela chegarão pela primeira vez, nas melhores condições possíveis. Não estamos tratando aqui de luxo, de ostentação, de exibicionismo, de suntuosidade, não, de forma alguma, até porque isso seria incompatível com os ensinamentos de Jesus, o Cristo, exemplo maior de simplicidade, seriedade e amor, nosso Mestre e Amigo de todas as horas, cujos ensinamentos procuramos seguir e aplicar em nosso dia a dia, além de divulgá-los, com os meios ao nosso alcance e sem fazer proselitismo, com o objetivo exclusivo de que beneficiem igualmente a outras pessoas, como nós mesmos fomos e temos sido constantemente beneficiados. Por isso, imaginar, como alguns imaginam, que as tarefas de coordenação dos trabalhos e, sobretudo, a de exposição doutrinária sejam as únicas importantes dentro do meio espírita, é incidir em erro, uma vez que, repetimos para enfatizar, todas as tarefas são importantes.

Para se ter uma pálida ideia da importância de todas as tarefas, em qualquer área da atividade humana, basta mencionar exemplo acontecido há muitos anos em Curitiba, a cidade em que vivemos, quando os garis, que naquela época eram chamados de lixeiros, decidiram entrar em greve por melhores salários. A greve durou apenas quatro dias, suficientes, por si, no entanto, para que a cidade se tornasse o retrato do caos. Um detalhe interessante, dentre tantos outros observados naquele curto período, merece destaque: para quem até então não havia prestado a devida atenção, ficou mais que evidente a enorme importância daquela tarefa, daquele trabalho, daquela atividade de recolher e transportar o lixo. E, de quebra, como decorrência, percebeu-se que seria muito importante que seus habitantes separassem o lixo em suas casas, assim como que a mesma tarefa e com idêntica separação fosse realizada nas indústrias, nas empresas e nos hospitais. Atualmente, tal comportamento, na maioria esmagadora dos casos, passou a ser rotineiro em Curitiba e, ao que parece, em boa parte do Brasil.

Por outro lado, também o tempo é deveras importante, não obstante as vinte e quatro horas de cada dia, segundo a contagem humana, sejam iguais para todos. A diferença reside no que cada um de nós realize nessas horas. Há quem as aproveite bastante, com planejamento e disciplina, assim como há os que simplesmente as desperdiçam, como não é difícil concluir pela simples observação do que ocorre à nossa volta. Os norteamericanos, em geral, procuram aplicar na prática a expressão que cunharam: Tempo é dinheiro [Time is Money].

Com o devido respeito, cumpre não perder de vista que o dinheiro é neutro, de tal modo que se for bem aplicado, como, por exemplo, para gerar emprego e renda; se for utilizado na educação de pessoas em seu mais amplo sentido; utilizado na construção de escolas; usado para criar oportunidades de crescimento, evolução e progresso, intelectual e moral, além de trazer conforto e bem-estar para quem o adquiriu e à sua família, com recursos lícitos e bem havidos, será ótimo, excelente e bem-vindo. Se, porém, a conquista do dinheiro levar a criatura aos arrastamentos e vícios de toda ordem, diante das facilidades e tentações advindas, será lastimável por todos os títulos.

Por esse motivo, sem um átimo de dúvida ou hesitação, preferimos ficar com o Espírito Joanes, através da psicografia do ilustrado médium Raul Teixeira, quando afirma que tempo é oportunidade, orientando: Com calma você entenderá cada ocorrência à sua volta e cada pessoa em seu caminho. Nada você perderá pelo uso da calma em sua trajetória humana, pois, longe de alimentar-se da ideia materialista de que tempo é dinheiro, você começará a pensar que, fundamentalmente, tempo é oportunidade, e que você deverá aproveitá-la para o melhor. Mesmo que deixe de lucrar algumas poucas moedas, no jogo enlouquecido das competições, você conquistará harmonia e saúde, a fim de prosseguir na rota da felicidade que tanto deseja (Para uso diário, 2ª ed. Fráter, 2000, página 54).

O tempo é excelente oportunidade, sim, de corrigir nossos erros, males e equívocos de passado recente ou remoto, mesmo que devagar, a pouco e pouco, mas com dedicação, persistência e determinação.

A finalidade do Espiritismo é tornar melhores os que o compreendem. Esforcemo-nos por dar o exemplo e mostremos que, para nós, a Doutrina não é uma letra morta. Numa palavra, sejamos dignos dos bons Espíritos, se quisermos que eles nos assistam. O bem é uma couraça contra a qual virão sempre se quebrar as armas da malevolência (Revista Espírita, julho de 1859).  Para compreendê-lo, contudo, é indispensável ler e estudar suas obras fundamentais. Tornando-nos melhores o resultado é imediato, e o benefício da mudança de comportamento, para melhor, é não só nosso, mas também das pessoas com quem nos relacionamos na intimidade do nosso lar, no trabalho, na casa espírita ou mesmo nas ruas, pela boa e simples razão de que seremos mais felizes, sem nenhuma sombra de dúvida.

Façamos uma experiência. Com singelo planejamento, reservemos parte das vinte e quatro horas de cada dia como tempo de oportunidade, magnífica oportunidade de ler e estudar as obras fundamentais que compõem a veneranda Doutrina Espírita. O resultado será imediato e, no mínimo, seremos melhores e mais felizes desde agora.

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