Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

À guisa de Editorial Entendimento e Unificação

janeiro/2012

Os grandes ideais da vida, quando transladados para a experiência do quotidiano, sofrem, não raro, os condicionamentos do homem a quem apraz modelar informações superiores com a argila das cogitações de que dispõe. Assim tem sido, e parece, por mais algum tempo, assim prosseguirá.

Fenômeno consentâneo parece que poderia ocorrer com a Mensagem do Espiritismo, não fossem as medidas de vigilância com que o Senhor estabelece o equilíbrio no campo da divulgação, mediante as quais o pábulo mantenedor continua a sustentar o homem em quaisquer circunstâncias em que se encontre, impedindo a adulteração dos postulados elevados que ora se espalham já por toda parte.

Não obstante a inteireza granítica da Doutrina Espírita, momento surge em que os pruridos do personalismo humano no movimento em que gravitam os homens levantam susceptibilidades cruéis, parecendo ameaçar de fracionamento o trabalho organizado pelo Mundo Espiritual sempre atento à preservação da unidade doutrinária, unidade vazada nas lições excelsas do Apóstolo de Lyon.

De quando em quando, investidas de vária natureza irrompem avassaladoras como a colocar em perigo o ideal da informação cristã espírita revitalizada pelo “Consolador Prometido”, que chega à hora exata a fim de colimar o destino estabelecido pelo Rei da Terra: a paz! A Revelação Espírita, porém, é cristalina e inconfundível, conclamando todos aqueles que dela se abeberam a um aprofundado estudo em torno da vida imortal e impondo a tônica da renovação interior, de modo a consubstanciar nas atividades de toda hora o programa traçado pela linha mestra da Codificação: Fora da Caridade não há salvação.

Estes são os dias em que se fazem necessários muito siso no estudo e muita meditação antes de atitudes e cometimentos, de modo que o labor duramente desenvolvido desde há mais de cem anos não venha sofrer solução de continuidade por capricho de uns ou insolência de outros, estribados em opiniões pessoais ou apressadas disposições de divergir e dissentir…

Merece que reexaminemos os postulados kardequianos, aprendendo mais uma vez, como embaixadores das vozes de que nos fazemos, a técnica da ação relevante pelo trabalho que edifica, da solidariedade que ajuda e da tolerância que firma o valor do homem na gleba abençoada da caridade. Quando os problemas surgem, urge a aplicação da atitude reflexiva; quando as necessidades se multiplicam, é indispensável parar a fim de meditar; quando os empeços se avolumam, faz-se imperioso examinar o óbice para vencer as dificuldades, afastando-as do caminho.

Precipitação é, também, sinal de leviandade, e arrogância significa exteriorização da personalidade inferior, que pretende sobrepor-se aos objetivos reais da verdadeira fraternidade.

Não nos enganemos quanto às nossas responsabilidades. Coloquemos acima dos “pontos de vistas” a Doutrina Espírita, e além das ambições pessoais o sagrado ideal que juramos desdobrar e defender se necessário com o contributo da nossa renúncia e da nossa abnegação.

Mais do que nunca estamos sendo convidados a um trabalho positivo de construção da nova humanidade. Que as nossas atitudes não venham comprometer o programa superior, que no momento repousa em nossas débeis e agitadas mãos.

Antes de agir, procuremos meditar no postulado da lição kardequiana; antes de dissentir, mergulhemos o pensamento na austeridade da informação kardequiana; antes de divergir, busquemos a fonte do ensino kardequiano, em cuja lição preciosa encontraremos sempre a chave para decifrar todos os enigmas de hoje, bem como as problemáticas do futuro, que ainda não podemos prever…

Jesus prossegue sendo o Mestre Incomparável, e Allan Kardec, discípulo de eleição, continua modelo de intérprete fiel e lúcido, encarregado de oferecer o legado da Doutrina libertadora que possui os tesouros capazes de erradicar os sofrimentos na Terra, do que se desincumbiu com elevada nobreza.

Unificação é programa de luz que nos compete preservar a qualquer preço. Não é lícito seja colocada em posição conflitante.

Os ensinamentos do Cristo prosseguem atuais:

“A casa dividida rui”; o “feixe de varas” faz-se poderoso por impedir, através da união com que se aglutinam as peças, o esfacelamento com facilidade.

Unamo-nos em regime de entendimento fraterno e evitemos transformar-nos em “pedra de tropeço” ou “motivo de escândalo”, a fim de que os esforços envidados há mais de duas décadas após o Pacto Áureo não se esboroem, qual névoa que a ardência do sol dilui.

Reflexionemos e pacientemente cogitemos de permanecer unidos, sejam quais forem as transitórias dificuldades, identificando-nos com o Cristo, cujo espírito vige em todas as páginas luminescentes da insuperável Revelação de que Allan Kardec se fez mensageiro digno e repositório fiel.

Lins de Vasconcellos
(Sementeira da Fraternidade,
Diversos espíritos,
Ed. LEAL/BA, 1972, cap. 19).

Assine a versão impressa
Leia também