Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

A fúria do preconceito

maio/2010 - Por Francisco Ferraz Batista

A Federação Espírita do Paraná – FEP associa-se à manifesta e justa indignação do Movimento Espírita brasileiro diante dos textos acintosos publicados pela revista SUPER INTERESSANTE, nº 277, de abril de 2010, com o título capcioso de “Uma investigação – Chico Xavier”.

Inicialmente, surpreende-nos o fato de que, passados 75 anos de atividades mediúnicas, com repercussão internacional, somente agora, na ausência do acusado, de forma cruel e tendenciosa, a revista tenha decidido “investigar” a extraordinária e inconteste obra de Chico Xavier. São mais de 400 livros, de cerca de 600 autores, e centenas de mensagens esparsas, cujos direitos autorais lhe granjeariam a fabulosa fortuna de aproximadamente 200 milhões de reais, que ele caridosamente distribuiu para centenas de instituições beneficentes.

Perplexos, perguntamos: quais os verdadeiros objetivos da publicação? Que “investigação” é essa que não foi às fontes fidedignas e às pessoas que com ele conviveram e foram beneficiadas?

Desconheceram, propositadamente, depoimentos inquestionáveis de autoridades respeitadíssimas sobre os livros psicografados.

Em 1932, Humberto de Campos, presidente da Academia Brasileira de Letras, tomado de impressionante coragem moral, deu entrevista ao “Diário Carioca” defendendo o médium, exaltando os temas e os estilos dos Espíritos comunicantes, fiéis aos que tinham em vida terrena.

Monteiro Lobato afirmou que Chico poderia ocupar “quantas cadeiras quisesse na Academia”.

Menotti Del Picchia viu algo de “divindade no fenômeno Chico”.

O ilustre professor da Universidade Federal

de Minas Gerais, Dr. Melo Teixeira, eminente psiquiatra, em 1944, em entrevista concedida ao “Diário da Tarde”, em 28 de julho, deixou claro que Chico foi um fenômeno “real, inegável, absoluto”.

Agripino Grieco, um dos mais temidos e respeitados críticos literários do País, declaradamente católico, assistiu, atônito, Chico psicografar textos de Augusto dos Anjos e Humberto de Campos, Tudo está no livro desse autor, intitulado “As lições de Chico Xavier”, da Editora Planeta.

Tenta o texto ridicularizar as materializações produzidas por Chico. Seria bom consultar o Evangelho de Mateus, cap. 17, que descreve as materializações de Elias e Moisés, no monte Tabor, na Galileia, na presença de Jesus. O fenômeno é o mesmo. Desconhece a autora a magnífica obra do cientista William Crookes, “Fatos Espíritas”, editada pela FEB, que narra as experiências desse notável pesquisador, de 1870 a 1873, todas publicadas no “Quartely Journal of Science”.

William Crookes foi considerado o maior sábio da Inglaterra no século XIX, pela notável contribuição que deu ao progresso humano. Descobriu o tálio e inventou o tubo eletrônico de cátodo frio para a produção de raios X. Foi físico e químico, Prêmio Nobel em 1907.

Na Sociedade Real de Londres, Crookes afirmou corajosamente: “Não vos digo que os fenômenos espíritas são possíveis. Eles são fatos irrecusáveis.”

Sir Conan Doyle, criador do personagem Sherlock Holmes, converteu-se ao Espiritismo.

Cézar Lombroso, um dos mais respeitados cientistas italianos de todos os tempos, que produziu o antídoto contra a pelagra, que dizimava milhares de corpos; que deu vasta contribuição ao direito penal, depois de ver sua mãe materializada e com ela conversar nas célebres sessões com a médium italiana Eusápia Paladino, na casa da condessa Celesia, também na presença de estudiosos como Morselli e Porro, fez amplo relato em seu livro “Hipnotismo e Mediunidade”.

Alfred Russel Wallace, êmulo de Darwin, fez seu voto de adesão pública ao Espiritismo. Cromwel Varley, criador do condensador elétrico, escreveu: “Não conheço exemplo de um homem de bom senso que, tendo estudado com cuidado os fenômenos espíritas, não se tenha rendido à evidência.”

O protomédico dos papas Leão XIII e Pio X, Dr. José Lapponi, escreveu “Hipnotismo e Espiritismo”, afirmando que “Os fenômenos espiritistas são reais, e confessa que deles não sabe dar explicações.”

O padre François Brune, em sua obra “Os Mortos nos Falam”, justifica: “Escrevi este livro para tentar derrubar esse espesso muro de silêncio, de incompreensão, de ostracismo, erigido pela maior parte dos meios intelectuais do ocidente.”

Poderíamos citar dezenas de nomes expressivos que declinaram sua crença no Espiritismo, mas falta-nos espaço.

Fala do programa “Pinga-Fogo” e insinua um possível fracasso do médium. Segundo o IBOPE, 1 em cada 5 brasileiros o assistiu. Hoje equivaleria a 40 milhões de pessoas.

“O médium foi bombardeado e se safou”, “driblou os ataques”, Jean Manzon e David Nasser, da também extinta “O Cruzeiro”, tentaram igualmente ridicularizá-lo.

A outra extinta, “Manchete”, insinuou uma possível riqueza de Chico que jamais existiu. Chico Xavier nasceu e morreu pobre. Toda a imprensa e a nação brasileira sabem disso.

A revista esqueceu-se de citar pessoas extremamente mais respeitáveis do que as mencionadas nos seus textos, como inumeráveis artistas e desportistas do jaez de Roberto Carlos, de Nair Belo, de Nicete Bruno, de Paulo Goulart, de Tande, de Maria Paula, de Hebe Camargo, que doou 2 milhões de cruzeiros para o Chico, que imediatamente os repassou para o Centro Espírita União, de São Paulo; de Carlos Vereza, de Décio Piccinini, de Tony Ramos, de Nelson Xavier, de Carlos Alberto Nóbrega, de Roberto Leal, como dezenas de outros não menos expressivos.

SUPER INTERESSANTE chega ao absurdo de, em nome da Ciência, apresentar 4 explicações para o fenômeno Chico Xavier: psicose, epilepsia, criptomnésia e telepatia. Esqueceu-se, no entanto, de pedir aos “cientistas” para reproduzirem em outras pessoas o fenômeno mediúnico e escreverem obras do nível de “Evolução em Dois Mundos”, “Mecanismos da Mediunidade”, “A Caminho da Luz”, com conteúdos cientificamente irrepreensíveis, e tênromances do gênero “Há Dois Mil Anos”, “Ave Cristo!”, “Renúncia”, “Paulo e Estêvão”, incomparáveis em beleza e profundidade.

Poderiam faturar os cerca de 200 milhões de reais que Chico distribuiu para incontáveis instituições de amor ao próximo.

Tenta burlar a inteligência do leitor com opinião, bastante suspeita, do Dr. Ivan Izquierdo, “especialista em memória”, da respeitável Pontifícia Universidade CATÓLICA do Rio Grande do Sul. Onde estão os livros dele sobre mediunidade? Onde está a ISENÇÃO investigativa que a reportagem alega? Por que não consultou parapsicólogos que são autoridades no assunto?

Não há, na história humana, um único caso que se compare a Chico Xavier. Chico nunca foi psicopata ou epilético. Não há um único registro médico! Que a revista traga uma única prova de que a criptomnésia ou a telepatia, em todo o mundo, tenha gerado um outro “Chico Xavier”.

A irresponsabilidade dessa revista chega às raias de nefanda maledicência, dizendo que existe uma dieta do Chico Xavier, com água, grãos de arroz…

A pobre jornalista nunca leu os textos produzidos por Chico que condenam veementemente todos e quaisquer tipos de ações exteriores, rituais, paramentos, dogmas, promessas, simpatias.

Na cega obstinação de agredir o médium, a revista ignorou o profundo respeito que Chico goza no Brasil e, em particular, em Minas Gerais, que o elegeu, em promoção do Globo-Minas, em 2000, “O Mineiro do Século”, com mais de 700.000 votos, vencendo Santos Dumont, Pelé, Betinho, Carlos Drummond de Andrade, Juscelino Kubitschek, Carlos Chagas, Guimarães Rosa e outros.

A prova de amor da sociedade brasileira está no sucesso absoluto do filme “Chico Xavier”, recorde de bilheteria do cinema nacional em todos os tempos.

Aí se vê, nitidamente, a extensão da maldade, do preconceito, do rancor contra um homem que, como Jesus, Estêvão, Paulo de Tarso e outros heróis do Cristianismo, cometeu um único “pecado”: O de amar o próximo com a si mesmo e renunciar a todos os bens materiais que a vida poderia ter-lhe proporcionado, por amor a Deus.

No tempo, a Justiça de Deus far-se-á!

 

Francisco Ferraz Batista
Presidente da Federação Espírita do Paraná

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