Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2020 Número 1635 Ano 88

A força do amor

junho/2017

Permite que o amor de Deus te inunde, aquecendo a frialdade dos teus sentimentos e diluindo as dores que têm procurado permanecer dominadoras no teu íntimo.

Renasceste para amar, a fim de tornar-te uma fonte generosa de ricas energias que deverás esparzir onde e com quem te encontres.

Se a aflição busca pouso nas tuas emoções e retira o colorido da alegria que te impulsiona em direção da luta redentora, entrega-te ao amor, e dá-te mais ao irmão sofredor, assim revitalizando os teus ideais de melhor servir.

Se a morte arrebatou o ser querido, que te constituía emulação ao trabalho e ao júbilo existencial, não te consideres desamparado, porque ele vive e, logo se recupere, retomará à liça ao teu lado, a fim de prosseguir na ajuda de que necessitas para superar a solidão.

Se a ingratidão te feriu o cerne da alma e tudo se encontra sob sombra densa, acende a luz do amor em forma de perdão e não te facultes o desânimo ou a melancolia.

Se a enfermidade alojou-se no teu organismo e lentamente mina as tuas forças com ameaças graves, recupera a vitalidade mediante as bênçãos do autoamor, e gera equilíbrio e renovação íntima.

Se te sentes cercado por desafios que parecem impedir-te o avanço na direção do Senhor, ama sem preconceito, e compreende que toda ascensão produz cansaço e exige esforço maior do que se imagina.

Se os teus projetos bem delineados sofrem dificuldades em realizar-se, ama com abnegação, faze a parte que te cabe e deixa o restante Àquele que é Vida em abundância e Ele fará o que não podes realizar.

Se a ingratidão de amigos afetuosos apunhala-te a alma, ama-os mais, sem nada exigir-lhes, porque o amor é bênção que se doa e não interesse que se negocia.

Se caminhas em a noite escura da alma, transforma o teu sentimento de amor em lâmpada de ardente chama, e verás a senda iluminada que aguarda os teus passos seguros.

Se a existência subitamente perdeu o encantamento e te sentes esmagado pelo fardo de desconhecida melancolia, ama com mais vigor e perceberás que o seu magnetismo fortalecer-te-á, auxiliando-te na reconquista dos bens imperecíveis de que descuidavas.

Se os teus passos perderam a força e cambaleias pelo caminho que antes vencias com vigor, ama e descobrirás a sublime energia do amor, portadora de recursos que resolvem todos os problemas e trabalha sem cessar em favor da ordem e do êxito.

Ama sempre e nunca deixes que o amor se esfrie no teu coração.

*

Mesmo que tudo se te apresente sombrio, e não percebas as nobres companhias espirituais que te ajudam na jornada libertadora, mantém a certeza de que não te encontras a sós.

Jesus prometeu que estaria ao lado de todos aqueles que O amassem, mesmo que, aparentemente, se encontrassem em solidão.

A externa solidão nem sempre é negativa, porquanto é portadora de sutis mensagens para levar-te à reflexão, à calma, à viagem interior.

Um pouco de silêncio te auxiliará a encontrar o roteiro momentaneamente perdido.

Na multidão, ante a algaravia das paixões, existem alegrias e ilusões que parecem felicitar as criaturas, perturbando-as mais do que as dignificando. É na solidão que o ser humano se encontra, que descobre o sentido e o significado existenciais, quando adquire coragem para prosseguir, para vencer, etapa a etapa, o caminho da evolução.

Quando as criaturas descobrirem o poder do amor, jamais experimentarão desânimo ou sofrimento, porque identificarão em cada acontecimento uma necessidade inerente ao processo iluminativo, retirando a melhor parte da experiência com que se enriquecerá de paz.

O mundo tem muita carência de amor.

Fala-se muito sobre esse dom divino, mas apenas se fala.

Ironicamente todos desejam ser amados e poucos se dispõem a amar, a modificar a estrutura racional do interesse pessoal.

Acredita-se, de maneira equivocada, que o amor é um instrumento que pode ser utilizado com habilidade para conseguir-se objetivos nem sempre superiores e, em consequência, tomba-se em desencantos e frustrações.

A ética do amor exige sacrifício e impõe coragem de fé.

A história dos mártires é, antes de tudo, um poema de amor em forma de extrema dedicação à causa do Bem na Terra.

Alguns são anônimos e o mundo não os conhece, outros chamaram a atenção pela maneira como conduziram a existência e são admirados, comentados, mas raramente seguidos.

Inúmeros têm sido objeto de crítica, de ironia e são considerados psicopatas, por haverem elegido o ministério da dedicação a Deus e ao seu próximo.

Isso, porém, não é importante, porque eles elegeram a melhor parte, a melhor conduta, aquela que lhes não será tirada, conforme as anotações evangélicas.

Desse modo, não te permitas a situação morna, cômoda, sofrida e distante do dever de amar, e aproveita cada momento da existência para permaneceres fiel ao objetivo da existência de que desfrutas.

Quem ama é imensamente feliz, enquanto que todo aquele que deseja e busca somente ser amado, não alcançou ainda a maturidade psicológica, demora-se em lamentável estado infantil.

*

Quem O visse pregado numa cruz de vergonha, abandonado por quase todos os afetos, criticado e em infinito sofrimento, na tarde ardente e ameaçadora, não se daria conta de que Deus estava com Ele, e que aquele testemunho Ele próprio o elegera, a fim de ensinar a todos que O amassem a permanecerem fiéis até o fim.

A tua cruz invisível é por Ele conhecida e, portanto, nunca estarás abandonado, se souberes transformá-la em asas de amor e de perdão que te alçarão à plenitude.

Desse modo, nunca te canses de amar e amar com entrega total.

Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no entardecer de 8 de dezembro de 2013,
em Calpe, Espanha, no dia da conclusão do XX Congresso Nacional de Espiritismo.

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