Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

A esperança recém-nascida

outubro/2007

Quando findou o dia 3 de outubro de 1804, a Terra já aninhava em seu colo a Esperança, recém-nascida, na forma de um menino que então alegrava os pais, para, logo mais, vir a alegrar os povos, entregando à Humanidade o fruto de seu trabalho em benefício geral: a Doutrina Espírita codificada, revivendo os ensinos de Jesus e reacendendo a chama da esperança por dias melhores, facultando-nos reencontrar Jesus, em Sua majestosa simplicidade e verdade, dando-nos nova razão de viver, permitindo-nos voltar a sonhar, esperando o que pode ser esperado.

Falamos de Hippolyte Léon Denizard Rivail, que ficou conhecido como Allan Kardec, nascido na cidade de Lyon, na França, nessa data, às 7 horas da noite.

Ele foi aquele que, no dizer de Hilel, o ancião, como uma única vela pôde acender outras mil sem se diminuir.

Das inúmeras lições que a Doutrina Espírita nos oferece, destacamos, neste Editorial, a lição da união, elemento-força que dá sustentação e amparo às realizações pessoais e coletivas a que nos propomos em nossas vidas; quer seja a união no âmbito da família, no âmbito profissional, no âmbito da cidadania, etc.

O quanto esse elemento-força chamado união não poderá gerar de bom no contexto das atividades espíritas, no Movimento Espírita, já que tão bem faz à família, à sociedade em geral?

Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra.”

Sempre é oportuno relembrar esse texto do Espírito de Verdade, que retiramos de O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XX, item 5. É um verdadeiro cântico de louvor e de convite à união pelo bem de todos.

La Fontaine disse muito bem sobre a união: Toda força é fraca se não é unida.

Em Eclesiastes (4,12), encontramos: Alguém sozinho é derrotado, dois conseguem resistir, e a corda tripla não se rompe facilmente.

A união se dá pela afinidade dos ideais, não obrigatoriamente pela igualdade das pessoas ou das forças que se juntam. É a combinação das diferenças por um objetivo comum. Não é preciso que esse ou aquele desapareça ou se anule. É preciso que se reúnam por um mesmo Ideal, cada um dando o máximo e o melhor de si.

Há um provérbio sueco que diz: Quando o cego carrega o manco, ambos vão para frente.

Quando falamos de união, não há espaço para o orgulho, para a vaidade, para o egoísmo. Precisamos decidir como poderemos ser valiosos no contexto em que nos encontramos, em vez de pensar em quão valiosos somos.

Em nome da união não se está impedido de ter ideias próprias e tantas vezes diferentes de outras ideias. Divergir faz parte da busca do consenso. Dissentir é obra do orgulho. O objetivo das questões ou da discussão não deve ser a vitória e, sim, o aperfeiçoamento da ideia. No mesmo sentido, não gerar obstáculos à busca do melhor a todos, em nome de miudezas e pontos de vista acanhados, fruto do egoísmo e do orgulho. Pequenas coisas só afetam as mentes pequenas, ensina-nos Benjamin Disraeli.

O que se espera é que sejam reunidas e ordenadas as possibilidades, os recursos, as forças enfim de cada um, pelo Ideal maior, pelo bem comum.

Solidários, seremos união. Separados uns dos outros, seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos. Distanciados entre nós, continuaremos à procura do trabalho com que já nos encontramos honrados pela Divina Providência. ([1])

Estimado leitor, prezado confrade espírita. O bom senso nos diz que não é triste mudar de ideias; triste é não ter ideias para mudar, segundo o Barão de Itararé, Apparicio Torelly.

Trabalhemos nossas ideias, revejamos nossos conceitos, reflitamos sobre os valores e as virtudes, mudemos no que precisar, robusteçamos o que esteja certo, aprimoremos o que já vem sendo feito de bem e de bom. A água que não corre forma um pântano; a mente que não trabalha forma um tolo, destaca Victor Hugo.

Façamos como o Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, promotor do renascimento da esperança para nós, ao descortinar o grande continente da alma, pondo-nos firmes no trabalho em prol do bem, dando passagem livre à união e à concórdia, para que facilitem a disseminação do amor sobre a Terra.



[1] Bezerra de Menezes – Psicografia de F. C. Xavier Mensagem de União – “Unificação” nov.-dez./1980.

 

Assine a versão impressa
Leia também