Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

A escolha da melhor parte

abril/2011

O evangelista Lucas, culto e sensível, registrou passagens e ensinamentos de Jesus que os demais mensageiros da Boa Nova deixaram escapar, como podemos observar.

Estando em Betânia, povoado próximo a Jerusalém, o Mestre acedeu ao convite de Marta, irmã de Maria e Lázaro, para estar com eles.

Maria, fortemente impressionada pelas palavras do Senhor, sentou-se aos seus pés. Marta, diferentemente, entregou-se aos afazeres domésticos, sendo docemente repreendida: “Marta, Marta, tu te inquietas com muitas coisas nem sempre necessárias.

Faça como Maria que escolheu a melhor parte” (Lucas, 10, 38 a 42)

Na esteira do tempo, escoaram-se séculos de apatia espiritual. Ainda hoje, vemo-nos com a síndrome de Marta. Com enormes prejuízos para a alma, as preocupações dominantes da sociedade humana raramente ultrapassam as fronteiras da ansiedade e da angústia com os bens materiais e com a cura dos corpos.

Por mais luz que o Espiritismo faça sobre a questão, mesmo entre nós espíritas, o cenário, com honrosas exceções, é praticamente o mesmo.

Longe de qualquer postura fanatizante, sabemos que os bens transitórios de qualquer natureza têm relativa importância para as nossas realizações, enquanto estagiando na carne.

Mas não nos basta a saúde do corpo e a do bolso. Primordialmente, devemos considerar que não encontraremos o que buscamos sem a indispensável harmonia mental, sem o equilíbrio psíquico, matrizes de todas as conquistas.

Todos os recursos ponderáveis vêm da imponderável força interior.

A mente está na base de todos os fenômenos da vida. Tudo está em nós!

Quando o Espírito de Verdade pediu que nos instruíssemos, além de nos amarmos, patenteou a grandeza libertadora do conhecimento.

A aquisição do conhecimento espírita dá-nos a plena compreensão dos fatos, leva-nos à origem dos males, realça, com impressionante clareza, os valores imorredouros do Bem.

Ao dominarmos os mecanismos do pensamento, com a energia da razão espiritualizada, “vigiando e orando” sempre, teremos o essencial e a saúde integral.

O peso dos nossos conflitos íntimos e exteriores desaparecerá paulatinamente, proporcionando-nos a leveza do ser, com a constante sensação de paz.

Esta é a “melhor parte” que jamais nos será tirada, porque se instalará em nossa personalidade eterna.

Marta simboliza o imediatismo do mundo, enquanto Maria dá-nos vibrante exemplo de sabedoria.

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