Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

A doutrina espírita nos Emirados Árabes

Grupo Espírita Cristão Despertar – GECD

abril/2017 - Por Entrevista com Patrícia Farias

Como você se tornou espírita?

Patrícia Farias – Sinto-me uma estudante do Espiritismo que, a cada dia, percebe o quanto ainda tem a estudar para conhecer a Doutrina codificada por Kardec. Nossa casa completou, em 2016, dez anos de trabalhos espíritas em Dubai. Antes desse período, me considerava apenas uma simpatizante do Espiritismo, quando no Brasil frequentava as palestras públicas no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro.

De família católica praticante, só fui visitar um centro espírita aos vinte anos, a convite de um amigo. Percebi que tinha muitos preconceitos a respeito, por ignorância, falta de conhecimento, atrelado a fantasias culturais sobre o tema. A visita ao Centro foi uma grata surpresa, encontrei paz e harmonia, e um convite à fé raciocinada. Era a combinação perfeita para quem não frequentava a igreja, com a assiduidade do tempo de infância. O Espiritismo começava a responder, sutilmente, aos meus questionamentos.

 

Como ocorreu a ideia de criar um grupo espírita em Dubai, nos Emirados Árabes?

PF – Quando transferi residência para Dubai, nem imaginava que desenvolveria essa tarefa. Como afirmei anteriormente, eu era simpatizante e conhecia pouquíssimo da Doutrina Espírita. Chegando em Dubai, no ano de 2005, conheci uma família de brasileiros que frequentara o Centro Espírita Irmãos do Caminho, em Jundiaí. Eles faziam o Evangelho no lar e tinham um grupo de estudos mediúnicos. Ficamos amigos e fui convidada a participar do primeiro grupo de estudos doutrinários, no seu lar. Foram eles, Luciana e André Tafarello (antes de deixarem Dubai), que nos incentivaram a abrir um grupo em nossa casa, o que aconteceu em 2006, para os estudos do Novo Testamento, baseado nas obras de Emmanuel: Fonte Viva, Pão Nosso, Vinha de Luz, Caminho Verdade e Vida. Eu não estava capacitada a palestrar mas fazíamos o estudo todos juntos, em um pequeno grupo, de mais ou menos oito pessoas Assim seguimos por cinco anos. O grupo cresceu.

Então, em 2011, implementamos as reuniões públicas com o estudo de O livro dos Espíritos e o Evangelho. Ou seja, a ideia aconteceu, sem eu planejar nada. Hoje, sou muito grata por ter percebido esse chamado.

Aproveito para lembrar que, em 2010, foi fundado o Grupo Espírita Caminho de Luz, sob a coordenação de Ana Elisa Vilhena. Com atividades similares às nossas, atendem a uma outra comunidade em Dubai.

 

Quais as atividades do Grupo e quantos trabalhadores o compõem?

PF- Temos a reunião pública, aos domingos à noite; estudos das obras de André Luiz, às terças pela manhã, com atendimento assistencial a trabalhadores de rua; o grupo mediúnico às quartas e, a cada quinze dias, temos a Evangelização de Família, às sextas. Somos cerca de quinze voluntários, a maioria atuando na Evangelização.

 

Como são divulgadas as atividades públicas do Grupo Espírita Cristão Despertar?

PF – Temos o blog espacodespertar.blogspot.com onde publicamos as palestras e informações; transmitimos o áudio da reunião pública e do grupo de estudos. A reunião pública pode ser assistida pelo livestream.com. Basta acessar o site e procurar por Grupo GECD.

 

As atividades são frequentadas somente por brasileiros?

PF – Recebemos brasileiros e irmãos de língua latina. Temos uma das reuniões, na Evangelização de Família, que é realizada em inglês (grupo de mocidade). Todas as demais são realizadas em português.

 

Há liberdade total para importação de livros espíritas?

PF – Os livros, geralmente, chegam em nossas malas, trazidos quando vamos ao Brasil. Recebi uma encomenda pelo correio, que foi aberta, provavelmente o livro foi traduzido, e depois nos foi entregue. De qualquer forma, não poderia dizer que há total liberdade – desconheço se há uma lei clara a respeito.

 

O Grupo pensa em ter uma sede própria e divulgar, de forma ampla, a Doutrina Espírita?

PF – Ter uma sede própria é um desejo, não viável por enquanto, por questões financeiras.  Os custos de aluguel, em Dubai, são altíssimos, além da licença, que acabaria tornando inviável nosso trabalho.

Portanto, decidimos manter as atividades em nossa residência e de outros participantes do grupo, como é o caso da Evangelização, realizada no mesmo horário para as cinco turmas.

A divulgação acontece pela internet – o blog, o facebook, o livestream. Mas, o mais eficiente é o boca a boca. Acredito que, em termos de divulgação, ela acontece de acordo com o espaço e as condições que temos hoje para ofertar aos irmãos, nesta região.

Fotos: Luciano Romano

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