Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

A difícil arte de educar os filhos

dezembro/2015 - Por Rogério Coelho

Segundo Allan Kardec, convenientemente entendida, a educação constitui a chave do progresso moral. O Codificador não está falando da educação que tende a fazer homens instruídos, mas da que tende a fazer homens de bem. 

A educação faz falta em todos os setores da atividade humana e, até mesmo, na de ordem econômica e, ainda mais especialmente, no campo das relações interpessoais. E aí, nesta última área, torna-se a educação o verdadeiro oxigênio vital para as sadias interações psicológicas entre pais e filhos.

A falta dela (da educação) leva ao estuário da violência, onde os adultos – de maneira generalizada – confundem disciplina com punição.

Aprendemos com o médium fluminense Raul Teixeira que toda vez que uma criança sofre um ou outro tipo de violência, o seu lado sombra recebe um estímulo negativo e nada de bom pode resultar daí. Por isso se vê nas mídias – quase todos os dias – os casos escabrosos no âmbito das relações pais e filhos.

Na coluna Comportamento, da revista Veja, do dia 22.4.2015, edição 2422, lemos a entrevista feita por Natália Cuminale, na qual o psiquiatra americano Daniel Siegel oferece subsídios importantes para os pais que desejam harmonia e sucesso na arte de educar os filhos e também na autoeducação. Ele escreveu o livro Disciplina sem drama, que esteve na lista dos mais vendidos do The New York Times.

Segundo o nobre psiquiatra (…) os pais do mundo moderno estão realmente muito ocupados, têm pouco tempo disponível e esperam que seus filhos simplesmente se comportem bem, (coisa que não acontece de uma hora para outra).

O que fazer, então, para reforçar os laços do coração com os filhos?!

(…) Os pais precisam – fundamentalmente – abrir uma pausa e refletir sobre o que está acontecendo em sua cabeça. Pesquisas científicas mostram que a melhor atitude dos pais em relação à educação dos filhos é mergulhar em sua própria reflexão. Os pais não têm a habilidade de entender o próprio comportamento, e incapazes de perceber onde erram ou exageram, acabam tratando os filhos como objetos, e não como seres humanos. Geralmente, as crianças não respondem muito bem a esse posicionamento. E isso leva a consequências danosas a curto e a longo prazo. A longo prazo, não conseguem desenvolver o que chamo de compasso interno – algo que guiará o modo de ser das crianças pelo resto da vida, como o senso de moralidade e de autocontrole. Quando você só briga e não explica, eles só aprendem como responder às expectativas dos mais velhos.

Quando as crianças estão nervosas as lições tendem a ser ineficazes?

(…) Quando as crianças estão agitadas, o cérebro delas não tem capacidade de reter nada. Aliás, ninguém está aberto ao aprendizado nos momentos de stress… Entendemos isso facilmente quando dividimos o cérebro em dois estados: o receptivo e o reativo. Por isso, o que ensinamos aos pais é: “conecte-se antes de redirecionar”. Quando você se conecta às emoções da criança, você a tira do estado de reação e a leva a um estado receptivo, em que está disposta a ouvir e aprender. Mas, só vamos conseguir atingir esse ponto se pararmos para pensar por que um filho está agindo dessa forma, o que desencadeou a reação brava.

Os momentos de imposição de disciplina são tão duros que se tornam um verdadeiro incômodo tanto para adultos quanto para as crianças. Por quê?

(…) Porque o recém-nascido, o bebê, a criança, o adolescente são criaturas sociais; e o ato humano mais decisivo é a interação de uns com os outros. É exatamente o que eu pesquiso: como podemos melhorar o vínculo dos pais com as crianças. Assim, a criança desenvolve a habilidade para entender a própria mente, a mente dos outros e, dessa forma, consegue se integrar. (…) Geralmente a criança se acalma quando percebe que foi compreendida. Dar “corpo” a um sentimento é a melhor maneira de mostrar a uma criança que ela não está sozinha. Ela sabe que você estará lá para apoiá-la. Mas, se a criança estiver manipulando, aí é outra história. Cabe uma conversa, mas é fundamental não atender à exigência da criança apenas para que ela cesse o pranto.

Repetimos: punir as crianças quando fazem algo errado é um equívoco! Não é certo punir e ponto final: deveriam (os pais) ensinar; enfim, agir como os bons professores                    

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