Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

A coragem e o idealismo de Divaldo

(pregando em meio a ditaduras, guerras e conflitos civis)

junho/2008 - Por Washington Luiz Nogueira Fernandes

Algo que merece registro é o fato do médium Divaldo Franco ter enfrentado situações muito adversas, em sua jornada de divulgador do Espiritismo no mundo, sem se intimidar com guerras, conflitos civis e ditaduras. Muitos fatos estão registrados:

– um dos primeiros ocorridos se deu no Panamá, na década de 1960, quando recebeu convite para fazer conferências nessa cidade. Do aeroporto, tomou um carro e deu o endereço ao taxista do hotel onde ficaria.

O motorista alertou-o dos perigos daquele lugar, pois estavam em guerra civil e havia muitos conflitos na região. Pensativo e com certa preocupação, Divaldo hospedou-se no hotel, banhou-se, descansando um pouco e saiu à rua para verificar a situação, antes de ligar para o confrade espírita.

Andou um pouco e subitamente ouviu uma série de tiros e uma multidão correndo esbaforida. Não pôde retornar ao hotel, pois este estava sitiado pela Guarda Nacional. Depois de horas, os ânimos se acalmaram, ele pôde entrar no hotel e ligar para o confrade amigo.

Apesar de tudo, Divaldo concordou em fazer a palestra à noite. Do local da mesma se podia, em alguns momentos, ouvir tiros do conflito, gerando até certo desconforto em muitos na plateia, mas Divaldo cumpriu até o fim, com destemor, sua missão na divulgação espírita;

– muito comentadas foram suas primeiras palestras espíritas, em Portugal, desde 1967, ao tempo da ditadura de Antônio de Oliveira Salazar (1889-1970), no poder desde 1932, quando cercou os direitos e garantias individuais.

O catolicismo era a religião oficial e outras doutrinas religiosas e filosofias eram mal vistas perante as instituições ditatoriais. Mesmo assim, Divaldo fez um corajoso roteiro de palestras, inicialmente em oito cidades. As propagandas para os eventos disfarçavam-se como convites para sessões de confraternização e piquenique, com um representante do neo-espiritualismo do Brasil.

Em Santarém, Divaldo fez a palestra no porão da casa de um confrade e, até hoje, já percorreu de norte a sul o país, num abençoado labor de divulgação doutrinária;

– não foram diferentes suas primeiras palestras em terras espanholas, começadas também em 1967, em Madrid, durante a ditadura do general Francisco Franco (1885-1975), protetor da igreja católica.

Divaldo vinha de Portugal e passou em Madrid, antes de voltar ao Brasil, na intuição e confiança de que uma porta se abriria para a Divulgação Espírita. Ao sair do aeroporto, ouviu um Espírito que lhe sugeriu telefonar a uma senhora, pois ela seria sua introdutora entre os simpatizantes do Espiritismo na Espanha. Forneceu-lhe o número do telefone e endereço.

Ela ficou receosa, pois o marido houvera sido assassinado e temia algum tipo de perseguição. Cedeu quando Divaldo, sob inspiração espiritual, descreveu sua residência, o que ela tinha feito pela manhã, e transmitiu um recado de um Espírito que houvera sido seu padrinho de formatura. Ela concordou então em recebê-lo para conversar. Marcaram uma reunião para a mesma noite, na qual compareceram 12 pessoas.

Um senhor se ofereceu para uma reunião no dia imediato, no qual compareceram 36 pessoas e, no terceiro dia, foram mais de 80. Assim, as portas se abriram na Espanha;

– merecem registro também suas atividades em Dalatando (ex-Salazar), na África, em 1975, quando estavam sendo travadas lutas pela acabar com o neo-colonialismo português. Divaldo não se intimidou e cumpriu extensa jornada de palestras. Saiu ganhando o Espiritismo.

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