Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

A copa dos sonhos

setembro/2010

Foram dias de muita ansiedade.

O país cobriu-se de verde e amarelo. Nas TVs, nas rádios, nos jornais e nas revistas, o foco era o futebol. A publicidade, em verdadeiro exercício de criação, se associava às esperanças de mais uma conquista.

Atividades profissionais e escolares pararam nos horários dos jogos. Ruas vazias, silêncio de impressionar, pensamentos voltados para a emoção dos lances. Repentinamente, a derrota, a dor, a decepção e o choro das massas.

Como consequência, aumentou o consumo de bebidas alcoólicas, muitos registros policiais de agressão, acidentes de trânsito, entre tantos outros fatos negativos, deram contornos trágicos a uma competição que, teoricamente, deveria revestir-se tão somente da alegria que confraterniza e da aproximação que socializa pessoas e povos.

Mas, não é assim! Os valores foram invertidos. É competir e vencer sempre, custe o que custar, ainda que com jogadas desonestas e violência inaceitável.

O desespero coletivo de uma nação, com derrota insuportável, produzindo transtornos psicológicos de alto risco, faz-nos meditar na sábia advertência de Jesus: “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. (Mt. 6:21).

Seria tolice acreditarmos em mudanças a curto prazo, numa sociedade ainda muito distante dos reais objetivos da vida e perigosamente materializada.

Nós, espíritas, estamos no mundo e podemos participar dos eventos humanos, tirando deles o prazer momentâneo, passageiro, porque nem tudo no plano físico está voltado para os interesses eternos.

No entanto, fica a obrigatoriedade de darmos nossa contribuição à melhoria dos comportamentos, onde quer que estejamos.

O exemplo cristão é fundamental.

O equilíbrio faz-se indispensável.

Não pode nem poderia ser diferente.

Jesus, numa época em que os gladiadores faziam delirar as multidões, inebriadas de sensações rasteiras, em cenário de sangue, chamou-nos a atenção para outros níveis de satisfação.

Sem esperanças de modificação imediata nas ações terrenas, o Senhor prometeu-nos o Consolador, que viria impulsionar um novo senso ético, regenerando costumes, para a construção da sociedade que desejamos, onde as emoções serão espiritualizadas, sem quaisquer laivos de animalidade.

A alegria desvairada de uns e a tristeza de outros ficarão no passado e converter-se-ão na felicidade geral.

Quando assim for, teremos a copa dos sonhos. Seremos todos vitoriosos!

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