Jornal Mundo Espírita

Novembro de 2017 Número 1600 Ano 85

A conspiração do silêncio

março/2014

Na Antiguidade ficava envolta em mistérios, somente acessíveis aos iniciados, constituindo a doutrina secreta ministrada nos templos por sacerdotes especializados.

Sempre quando se fazia revelar, de imediato era oculta à curiosidade popular e, muitas vezes, mantida em segredo, de que se utilizavam muitos para a exploração ignóbil, tornando-se seus intérpretes, porém, de acordo com os próprios interesses.

Condenada por inúmeros governantes e temida por incontáveis deles, era manipulada pela astúcia e habilidade de mistificadores que exploravam a credulidade geral, ameaçando ou liberando de penas que eles próprios elaboravam, a fim de inspirar temor e respeito.

Mesmo com o advento da mensagem de Jesus, os Seus adversários denunciavam-na como interferência demoníaca, teimando em ignorar a sua legitimidade, assim comprazendo-se na irresponsabilidade.

Depois de Jesus, passou a ser objeto de teólogos nem sempre honestos e convictos da sua realidade, para envolvê-la em fantasias do sobrenatural distante do elevado significado de que se reveste.

Durante longo período na noite medieval foi severamente perseguida, sem que a perversidade dos insanos inimigos conseguisse diminuir-lhe o brilho e a fascinante significação.

Ao Espiritismo coube o elevado mister de desvelá-la, tornando-a anelada e  oferecendo as diretrizes austeras e seguras para a conquista dos benefícios dela advindos durante a existência planetária.

Evocando-a na ressurreição triunfante de Jesus após a dolorosa crucificação, a imortalidade do Espírito é a mais grandiosa revelação do conhecimento humano, que proporciona esperança e alegria de viver.

Por mais que os amigos desejassem acreditar que Ele voltaria do silêncio do túmulo, após a morte infamante, ei-lO glorioso, irradiando mirífica luz, que demonstraria ser Ele o Senhor dos Espíritos e o Guia da Humanidade.

Embora a ignorância e a má fé de incontáveis personalidades que se iludem com a transitoriedade carnal, a imortalidade é a vida que se encontra ínsita em todos, seja na frágil organização física ou na deslumbrante libertação mediante o fenômeno inevitável da desencarnação.

A ruptura da conspiração do silêncio em torno da vida-além-da-vida orgânica, oferece a certeza do sentido psicológico superior da existência terrena, como escola de aprimoramento moral, objetivando a plenitude a que todos aspiram.

Impossível, portanto, silenciar a verdade e impedir que os imortais comuniquem-se com as criaturas humanas, a fim de adverti-las e orientá-las quanto ao significado existencial.

*    *   *

Embora alguns subterfúgios, que ainda permanecem em torno dos vigorosos fenômenos mediúnicos que atestam a sobrevivência do Espírito à desagregação molecular, uma nova consciência surge na sociedade, para contribuir significativamente para a conquista do bem-estar permanente, para a superação do medo da morte.

Desmistificada, ao invés de significar a fatalidade aniquiladora, torna-se o anjo libertador do fardo do sofrimento e faculta o voo pleno pelo infinito.

O limite a que se está acostumado, durante a jornada berço a túmulo, amplia-se, ante a visão majestosa do Universo, com os seus sextilhões de astros, que são outras tantas moradas da Casa do Pai.

Incontestavelmente, uma existência corporal é insignificante ante a magnificência do Cosmo, de modo que a aceitação desse pequeno périplo diminui a majestade do Criador.

Lentamente, pois, e com segurança, a conspiração do silêncio em torno da imortalidade cede lugar à convicção da vida após o túmulo, graças à fenomenologia mediúnica presente em todos os segmentos da sociedade.

Ao mesmo tempo, o sofrimento que alcança todos os indivíduos, após as jornadas pelos gabinetes da ciência encarregada de atenuar-lhes a dor e diminuir-lhes o desespero, encontra nas nobres elucidações espíritas o reconforto e o ânimo para os enfrentamentos que decorrem das condutas antes vivenciadas, conforme elucida a reencarnação.

As psicoterapias transcendentais ora aplicadas encontram na imortalidade do Espírito e nas suas várias reencarnações os recursos valiosos para os transtornos de comportamento e os de natureza mental, por elucidar a anterioridade da vida ao corpo atual, quando foram assumidos compromissos ultrajantes que agora têm necessidade de ser reparados.

Nada acontece quando não existe uma causa anterior.

A lei, portanto, de causa e efeito, que responde pelos acontecimentos felizes ou desditosos que têm lugar no mundo de hoje, como no de todas as épocas, convida o ser humano  à responsabilidade lúcida e consciente por necessidade de despertar para a própria realidade.

Já não há tempo para o escamotear da verdade, quando a comunicação virtual e o conhecimento de algumas leis universais deslumbram todos aqueles que se permitem o esclarecimento e buscam a libertação das algemas da intolerância de qualquer natureza, assim como da castração espiritual ainda vigente em algumas doutrinas religiosas.

Este é o momento do autoencontro, da autoconsciência, da comunhão com Deus.

*   *   *

A busca da verdade, por fim, conduz o indivíduo à plenitude, rompendo o véu da ignorância e do medo em torno da transcendência e grandeza da vida, que deve ser experienciada com inefável alegria.

As dores e as ocorrências afligentes são acidentes do programa evolutivo que, de maneira nenhuma interrompem o fluxo do desenvolvimento da inteligência e da moral.

Jesus havia anunciado a Era Nova de conhecimentos e de felicidade que a Terra experimentaria.

Assim, pois, são estes os dias anunciados graças ao Consolador, que Lhe veio repetir os ensinamentos e dizer coisas novas que no Seu tempo não podiam ser reveladas, por falta do entendimento científico em torno da existência, assim como o das leis universais.

Joanna de Ângelis.
Psicografia do médium Divaldo Pereira Franco,
na noite de 16 de novembro de 2013, em Leiria,
Portugal, no Congresso Espírita Português.

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