Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2018 Número 1611 Ano 86

A chave da Nova Revelação

outubro/2018

Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais tarde imortalizado como Allan Kardec, nasceu em Lyon, França, no dia 3 de outubro de 1804, com sua família residindo em Bourg de l’Ain (Bourg-en-Bresse), no mesmo país onde passou os primeiros anos de sua infância.

Uma existência de muitas lutas e de muitas vitórias, consumada no dia 31 de março de 1869, em Paris, França, tendo deixado como legado o tesouro da Doutrina Espírita com sua estruturação completada.

Diferente do que se pode imaginar, a doutrina nova não foi apresentada para ficar circunscrita a um grupo de adeptos. Ela permite livre trânsito para aqueles que somente se interessam pelo conhecimento dos seus princípios e proposições, e uma vez sabidos, retornarem às suas origens. Do mesmo modo está posta para os variados estudiosos, religiosos ou não, do pensamento humano. Também não condiciona a adoção de suas postulações como a verdade única nem como sendo a tábua salvadora dos sofredores.

O trabalho desse homem serviu para romper barreiras que se faziam grande obstáculo ao entendimento humano sobre o verdadeiro sentido da vida, agora levando-a – a vida -, por transcendência, para antes do berço e depois do túmulo, demonstrando sua realidade fática, pondo-nos frente a frente com a imortalidade e, por extensão, com a eternidade.

As páginas da Doutrina Espírita se configuram na moderna manjedoura, por ser berço da mensagem revivificadora de Jesus, o Cristo, trazendo-O de volta ao interesse e entendimento humano. E a Librairie Dentu, na Galerie D’Orléans, 13, em Paris, França, metaforicamente, é a nova Gruta de Belém, onde, no dia 18 de abril de 1857, foi exposto, por primeira vez, O Livro dos Espíritos, a pedra angular da Codificação Espírita.

O Espiritismo não veio constituir uma religião, como comumente se entende como tal, mas acordar a religiosidade da consciência. Uma religião – leciona Kardec, em sua acepção ampla e verdadeira, é um laço que religa os homens numa comunhão de sentimentos, de princípios e de crenças.3

A religiosidade verdadeiramente sentida que se deseja,no coração de cada um, é o laço que nasce dessa comunhão – sentimentos nobres, princípios superiores e crenças verdadeiras -, que estrutura a fé nos princípios fundamentais que toda gente pode aceitar e aceitará: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinido, a perpetuidade das relações entre os seres. (…) Essa fé que o Espiritismo faculta e que doravante será o eixo em torno do qual girará o gênero humano, quaisquer que sejam os cultos e as crenças particulares, como declarado por Allan Kardec.3

Cada princípio espírita é raiz que sustenta, que fundamenta as deduções filosóficas, dando corpo doutrinário ao seu coerente conjunto de ideias e proposições a serem transmitidas, ensinadas.

O trabalho de Allan Kardec foi o de construir pontes, não muros.

E foram por essas pontes que os Espíritos Luminares se apresentaram ao mundo, em suas verdadeiras grandezas, irradiando a mensagem do bem, da concórdia, da fraternidade, da solidariedade, da caridade.

(…) o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.1

Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal. Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da Humanidade e disse: Vinde a mim, todos vós que sofreis.2

De Bourg-en-Bresse saiu, em direção ao mundo, aquele que se faria a chave da Nova Revelação, que, com sua mente lúcida e argúcia perscrutadora, desbravaria o grande Continente da Alma, abrindo seus portais para que o Homem redescobrisse Deus em Sua verdadeira grandeza, sem intermediários, lhe definindo o caminho da redenção reformadora e colocando em suas mãos o mapa do Reino de Paz, cuja jornada tem como ponto de partida o coração de cada criatura, e como guia, Jesus.

Os que nos permitimos envolver pela mensagem renovadora da Doutrina Espírita, reconhecidos pelo ingente trabalho do prof. Rivail,  Allan Kardec, registramos nossa homenagem, enquanto recordamos a data do seu nascimento, certos de que os frutos de suas realizações estabeleceram marcos de luz para a jornada humana, e serão, um dia, os que alimentarão os corações carentes de Consolo, como já faz com milhões de pessoas ao derredor do mundo.

Referências:

1.KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 118. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001. cap.6, item 4.

2.______. Op. cit. cap.6, item 5.

3.______. A gênese. 41. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002.cap. XVIII, item 17.

4.KARDEC, Allan. Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos. Ano 1868. Artigo do mês de dezembro: Discurso de abertura pelo Sr. Allan Kardec. São Paulo: EDICEL, 1966. v. 12.

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