Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

A autoestima do Evangelizador Espírita

agosto/2014 - Por Cezar Braga Said

O homem faz o mal por ignorância, por fraqueza, e os seus atos reagem contra ele mesmo. O mal é a luta que se produz entre as potências inferiores da matéria e as potências superiores que constituem o ser pensante, seu verdadeiro “eu”. Porém, do mal e do sofrimento, um dia nascerão a felicidade e a virtude.

Léon Denis – Cristianismo e Espiritismo – cap. VII.

Não resta dúvida que uma pessoa que possua uma boa autoestima é admirada, irradia bem-estar à sua volta, dificilmente se melindra, sabe distinguir um elogio sincero da lisonja, consegue analisar com equilíbrio a crítica que lhe é dirigida e, ao mesmo tempo, contribui para o desenvolvimento da boa autoestima daqueles que convivem consigo.

Quando priorizamos nos conhecer, analisando-nos, seja por aquilo que identificamos sozinhos, seja pelas impressões que nos são transmitidas pelos que convivem conosco, vamos formando uma ideia mais precisa de como o nosso interior se exterioriza e como somos vistos em nossa vida de relação.

Esse processo vai gerando pistas e indicadores importantes para que possamos nos aperfeiçoar intelectual e moralmente, obtendo mais harmonia e satisfação conosco, com os outros e com as nossas tarefas, no movimento espírita.

Um evangelizador motivado, contente consigo, com a casa espírita onde atua, com a tarefa evangelizadora, em constante preparação para realizar bem a sua missão, é alguém capaz de contagiar seus evangelizandos, fazendo a diferença em suas vidas. Ao passo que adoecido, triste, desanimado e sem uma visão positiva de si, dificilmente conseguirá despertar neles o potencial que possuem adormecido, já conquistado ou aquele que carece ser desenvolvido pela ação da família, da escola e da própria evangelização espírita.

Para o desenvolvimento de uma boa autoestima existem alguns passos importantes que, recebendo a devida atenção, poderão ajudar o evangelizador em seu crescimento interior:

1. Autoaceitação – é preciso aceitarmo-nos como somos, únicos, singulares, deixando de brigar com certos traços e características que nos desagradam, mas, envidando esforços para mudar o que for possível, material e moralmente. O verdadeiro evangelizador também se reconhece pelos esforços que faz para se tornar um ser humano melhor.

 

2. Autenticidade – não desejar parecer o que não  é, não tendo vergonha de se dizer limitado, frágil e também não escondendo os talentos que possua, numa atitude de falsa modéstia. Uma pessoa autêntica tende a estimular o desvelamento da autenticidade alheia. Lembrando que ser autêntico não é ser grosseiro. Um ser autêntico também pode e deve ser educado, sensível a ponto de ressaltar as qualidades alheias e os bons trabalhos dos demais.

 

3. Não criar expectativas excessivas –  boa parte dos nossos sofrimentos decorre das expectativas que criamos de que as pessoas nos façam felizes ou se comportem como nos comportamos, que reconheçam nosso valor e saibam usar de reciprocidade. Alguma expectativa sempre teremos, mas precisamos aceitar que ninguém viverá ou se comportará, exatamente, segundo nossos desejos e valores, inclusive, os próprios evangelizandos.

 

4. Não responsabilizar os outros pelos seus fracassos –  atribuir culpa aos demais companheiros de trabalho pela nossa infelicidade não ajuda em nada a reversão do que tanto nos incomoda, ao contrário, só aumenta a sensação de impotência. É preciso reconhecer nossa quota de alienação, ilusão, ingenuidade e, a partir disso, tentar fazer a transformação necessária.

 

5. Livrar-se da autocompaixão –  sentir pena de si pode nos conduzir a um quadro depressivo e até a um processo obsessivo. Sentir-se preterido, incompreendido por alguém ou um grupo, vivenciar conflitos, são processos naturais que todos já enfrentamos ou enfrentaremos um dia e tudo isso pode contribuir, de forma poderosa, para o nosso crescimento, desde que tenhamos abertura para aprender, conversar sem ficarmos melindrados e nos vitimando o tempo inteiro.

 

6. Cultivar o bom humor – sendo o Espiritismo a Boa Nova, o Evangelho redivivo, as boas notícias, natural que nos alegremos com uma mensagem de caráter libertador, em face do esclarecimento e do consolo de que ela se reveste. Rir com os evangelizadores e evangelizandos, rir de si mesmo, rir com os bons Espíritos, são sinais de boa saúde mental e emocional.

 

7. Você é responsável e não culpado – como é importante termos uma relação mais saudável com os nossos erros, entendendo que o aprendizado feito com eles resulta também em crescimento. Um evangelizador que lide, de forma saudável, com seus enganos ajuda significativamente os evangelizandos a crescerem sem tantas neuras.

 

8. Desistir de querer ter um passado melhor –  seja esse passado recente ou remoto (existências passadas), o mais importante não é o que fomos, mas o que somos e desejamos ser. Arrastar culpas, medos, traumas e usá-los para justificar nossas dores e dificuldades em nada fará com que nossa vida tome curso diferente.

 

9. Cuidar-se por inteiro, ser inteiro – O Evangelho segundo o Espiritismo é muito claro quando nos recomenda cuidar do corpo e da alma, tendo em vista a nossa condição de reencarnados. O que é reprovável, sabemos, são os excessos. Logo, instruir-se, alimentar-se corretamente, vestir-se com esmero e simplicidade, cuidar da aparência, dormir o necessário são, a grosso modo, caminhos para um cuidar-se por inteiro.

 

10. Perceber-se sempre em processo –  nenhum de nós está pronto, já terminou seu processo de autoeducação. Assim, precisamos seguir abertos para aprender com todos. Por isso, o grupo de trabalho espírita, com as trocas que nele fazemos, é tão necessário ao nosso e ao aperfeiçoamento da nossa ação evangelizadora.

 

Com estes cuidados, em nosso cotidiano, mais facilmente obteremos uma boa autoestima e, consequentemente, melhor contribuiremos para desenvolvê-la em nossos evangelizandos.

 

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