Jornal Mundo Espírita

Junho de 2017 Número 1595 Ano 85

Noventa anos de desencarnação

fevereiro/2017

Foi em agosto do ano findo [2016] comemorada a data. Amélia Augusta do Sacramento Rodrigues, conhecida no meio espírita, simplesmente, por Amélia Rodrigues.

Nascida na Fazenda Campos, Freguesia de Oliveira dos Campinhos, município de Santo Amaro da Purificação, em 26 de maio de 1861, a Bahia a homenageou, em 1961, criando o município Amélia Rodrigues, desmembrado de Santo Amaro, região metropolitana de Feira de Santana.

Encarnada, foi notável poetisa, professora emérita, escritora consagrada, teatróloga, legítimo expoente cultural das Letras, no Estado baiano.

Ao se aposentar, não conseguiu ficar repousando. O ideal de ensinar continuava vivo. Retornou ao magistério, dedicou-se à literatura e ao jornalismo, colaborando em publicações religiosas, como O mensageiro da fé, a revista A Paladina e A Voz.

O Evangelho de Jesus lhe era fonte inspiradora para muitos dos seus trabalhos.

Entre algumas de suas poesias, destacamos:

 

O semeador

Ao campo, em manhã ridente,

Dirigiu-se o semeador,

Caminhando indiferente

Pelos gramados em flor.

 

Do saco, que à mão levava

Caíam-lhe os grãos, à toa,

Que ele nunca examinava

Se a terra era má ou boa.

Ora em torrão pedregoso,

Ora da estrada na beira,

Ora em silvado espinhoso,

Depois em fecunda leira.

 

E seguiu, e foi andando

Pelos campos que encontrou,

Sempre, sempre semeando,

Té que o saco esvaziou.

 

Que sucedeu? Semente

Que entre pedras foi cair,

Nasceu, viveu curtamente

E secou sem produzir.

 

A que à beira dos caminhos

Desamparada ficou,

Comeram-na os passarinhos,

Nem ao menos germinou!

 

Cresceu fraquinha, enfezada,

A do meio do espinhal,

Mas das silvas apertada

Veio a morrer afinal.

 

Só a última, a ditosa,

Que em bom terreno caiu,

Vingou bela, vigorosa,

E frutos bons produziu.

 

Crianças, que ouvis agora

Esta parábola gentil,

Crianças, que sois a aurora

De esperanças do Brasil,

 

Meditai atentamente

Nos ensinos que ela encerra,

E para a boa semente,

Sede como a boa terra.

 

Que ela germine possante

Nas vossas almas em flor,

Que medre e em fruto abundante

Recompense o semeador.

 

Identificando-se com o pensamento de Fénelon, ela dizia que O jovem precisa de educação moral que é o princípio fundamental da disciplina social.

 

No Plano Espiritual continuou, portanto, seu trabalho esclarecedor e educativo, aprofundando-se na mensagem de Jesus. Pela psicografia de Divaldo Pereira Franco vem nos ofertando, ao longo de quase cinquenta anos, verdadeiras pérolas de luz, em que exalta os ditos e os feitos do Nazareno, traduzindo-os de forma poética para os nossos corações:

 

A mensagem do Amor Imortal (2008)

Até o fim dos tempos (2000)

Dias venturosos (1997)

Há flores no caminho (1982)

Luz do mundo (1971)

O Semeador (infantil – 1981)

O Vencedor (infantil – 1994)

Pelos caminhos de Jesus (1987)

Primícias do Reino (1969)

Quando voltar a primavera (1977)

Trigo de Deus (1993)

Vivendo com Jesus (2012)

 

Como se vê, o verdadeiro semeador não cessa de semear. Nem a morte o detém: trabalha no Além e retorna para oferecer aos seus irmãos, encarnados, os frutos das suas profundas meditações.

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