Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2021 Número 1647 Ano 89

8º Encontro Estadual de Evangelizadores de Infância

Os desafios da Evangelização Espírita

dezembro/2020

Em excelente parceria, Cezar Braga Said e Sandra Borba Pereira, convidados para a condução do Encontro, organizado pelo Departamento de Orientação à Infância e Juventude da Federação Espírita do Paraná, promoveram oportunas reflexões, que propiciaram injeção de ânimo em todos os evangelizadores que acompanharam a atividade pelo youtube.com/canalfep, em 31 de outubro.

Cezar serviu-se da questão 740, de O Livro dos Espíritos, na qual os Espíritos Superiores nos informam que os flagelos destruidores, que Deus permite ocorram, de tempos em tempos, são provas, desafios a serem superados pela Humanidade e que possibilitam à criatura exercitar a inteligência, paciência e resignação. Nesse sentido, a pandemia nos enseja utilizar a criatividade, revendo práticas e buscando alternativas para as situações desafiadoras que se apresentam em nossos lares, nas escolas, na nossa relação conosco mesmos e com o próximo, bem como nas atividades na Casa Espírita.

Estamos sendo chamados a uma volta para a casa planetária, para a casa onde convivemos com nossos entes queridos, para a casa corporal, mental e emocional, a fim de refletir sobre o cuidado que temos manifestado, nossos sentimentos e emoções, a sintonia que temos estabelecido conosco, com a Espiritualidade, com as tarefas que abraçamos, ponderou Cezar Said. Essa parada para pensar deve ser vista como um momento privilegiado de avaliação e autoavaliação para, na sequência, redefinirmos os rumos das nossas práticas na Evangelização.

Cezar e Sandra enfatizaram o cuidado necessário, neste momento desafiador, para com os evangelizadores. Fomos alijados de uma rotina de trabalho – falou Sandra – de contato com os companheiros e com as crianças da Casa Espírita, o que representa um “golpe”, que, apesar de um entendimento mais ampliado que a Doutrina Espírita possa nos oferecer, é necessário tempo para nos acostumarmos e “digerirmos” todo esse processo de separação. Natural e real o surgimento de processos depressivos, de perturbação, de desesperança, o que nos exige buscar uns aos outros para nos apoiarmos, preservando a nossa capacidade interativa e de socorro mútuo.

Em igual sentido, Said lembrou da necessidade de procurar o atendimento fraterno, a terapia especializada, visando alcançar a superação dos desafios pessoais que cada um de nós enfrenta. De importância dividirmos as nossas atenções e cuidados entre os evangelizandos e os evangelizadores, pois caso esses últimos não estejam bem, não poderão desenvolver boas atividades para as crianças.

Nessa linha de pensamento, Sandra preconizou a receita dos três C:

Cuidado para conosco e para com o nosso próximo, fortalecendo-nos e apoiando-nos mutuamente. Cuidado para com a nossa casa e nossa causa.

Coragem moral para enfrentamento da situação, amparados no Evangelho de Jesus,  caminhando ombro a ombro, lado a lado.

Criatividade, avaliando, revendo, repensando as nossas atividades.

O primeiro grande desafio, reprisou Sandra, é para conosco mesmos, na busca de superação dos nossos medos e das nossas inseguranças, diante das incertezas que se apresentam.

Há uma razão de ser da pandemia, lembrou, que é a certeza que deve nortear nossa conduta, cientes que somos de que nada acontece ao acaso e que há sempre uma finalidade útil no que permite a Providência Divina.

Diante disso, devemos sair da acomodação, justificada pelo recolhimento necessário que a situação pandêmica nos impõe, dando utilidade ao tempo de que possamos dispor, através da qualificação continuada, desaprendendo para reaprender; da inovação nas atividades buscando novos recursos e novas alternativas no caminho da reconexão, em especial com as nossas crianças. Não podemos ficar esperando passar.

Importantíssima a lembrança, que nos trouxeram os coordenadores, sobre o entendimento que devemos ter das nossas limitações e das limitações que o momento estabelece, para que não venhamos a nos sobrecarregar num nível de exigência extremo, acreditando sermos os salvadores do mundo.

Não nos acomodarmos e fazer o que nos é possível, recordando que a tarefa primeira de evangelizar é da família, dos pais. Busquemos, dessa forma, darmos o nosso melhor, cuidando para ter equilíbrio nas ações possíveis de realização, respeitando as nossas limitações, o nosso ritmo, o ritmo das crianças e das famílias.

Respondendo às indagações dos evangelizadores, Sandra ratificou que os grandes desafios do trabalhador espírita são a perseverança e a fidelidade e Cezar alentou ao recordar de que a obra prossegue sob o Divino amparo.

A riqueza desses conteúdos foi recheada, ainda, de contações de histórias por evangelizandos e evangelizadores e com as músicas executadas por Cristina Prevedel e Marcelo Pineze Pereira, da 11ª URE, sede Campo Mourão.

Equipe DIJ/FEP
Prints: Dilvana Fantin

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