Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2018 Número 1611 Ano 86

50 anos refletindo os irmãos do arco-íris

maio/2018

Quem são eles, mãezinha?

São nossos amigos da luz… Estarão junto de você e lhe mostrarão muitas coisas boas que você deverá fazer… e repartir. Repartir esperanças, repartir amor, meu pequeno, repartir a paz e a sabedoria que um dia terá, conforme for crescendo…

O diálogo acontecia entre o menino-criança e sua mãe, a respeito das entidades espirituais que ele via chegarem, com frequência, em sua casa, mas não tinha a mínima ideia do que eram nem quem eram.

Eram seres radiantes, que exteriorizavam variada coloração, como se fossem as luzes mais cristalinas de um vivo arco-íris…

Essas rotineiras ocorrências provocavam, naquele coraçãozinho, muito encanto… e um certo suspiro de receio. Afinal, com seus amiguinhos da vizinhança não acontecia o mesmo. Era só com ele…

*

Esse menino-criança cresceu. Foram ásperos os dias da orfandade, desde os quatro anos de idade, com a desencarnação de sua mãezinha. Seu amoroso pai ainda lhe sustentou a caminhada por um tempo depois, mas não muito.

Mãos amorosas o cercaram de apoio e presença.

Mas os seus irmãos da luz, os irmãos do arco-íris, jamais se ausentaram. Nos momentos mais agudos das saudades da mãe e do pai, das saudades de um lar que pudesse chamar de seu, aqueles corações bondosos, que viviam num mundo diferente, como sua mãezinha lhe ensinara, se apresentavam, convidando-o à alegria, ao ânimo, à coragem, ao estudo… e a amar a todos.

Foi uma vida de lutas, que forjaram um coração com a têmpera da humildade e da compreensão das dores humanas, e cujas lágrimas vertidas, regaram os sentimentos, permitindo a floração imorredoura do bem e do amor ao próximo, sustentado pela fé em Cristo.

*

Mas, soava a hora predita. A hora de repartir as luzes colhidas dos irmãos do arco-íris.

Eclodia a adolescência de um corpo, sustentado por um Espírito de muitos séculos.

Era a hora de Raul Teixeira ser apresentado ao caminho que deveria tomar, sem jamais olhar para trás.

Seu amigo Luiz Vilaça e sua mãe lhe explicaram sobre os Irmãos da Luz.

Raul, isso é mediunidade! Seus Irmãos da Luz são Espíritos, os que permanecem sempre vivos nessa imortalidade sem fim. Você os vê, os ouve, pois você é médium.

Vem, disse-lhe o abençoado amigo, vamos juntos ao Centro Espírita Leôncio de Albuquerque. Ali estaremos juntos no regular encontro de jovens, aos sábados.

Ele foi. No primeiro dia, convidado a comentar o tema do estudo do dia: Moisés, o fez com tal desenvoltura e conhecimento que, segundo ele comenta, sentindo algo diferente, falou por mais de vinte minutos, sem perceber ao certo o que se passava. Pode-se considerar como tendo sido sua primeira palestra espírita, mesmo sem ainda o ser de fato.

*

Não tardou para que o mundo conhecesse o grande trabalhador.

Palestrante dos mais destacados, preparados e reconhecidos.

Suas faculdades mediúnicas de diversas nuances, facultando-lhe estreito contato com os Espíritos Benfeitores, antes de cada palestra, lhe orientando, sempre que preciso, sobre o melhor tema a ser abordado para certo encontro e conforme o público, bem como, durante cada palestra, inspirando-lhe a fala e eventuais destaques, enriquecendo o conteúdo e o aproveitamento dos presentes.

No Brasil e no Exterior, a largueza do território de atuação correspondendo à largueza de sua capacidade e de suas habilidades pessoais.

O Movimento Espírita conheceu e jamais vai esquecer-se dele.

Presença marcante em todos os eventos doutrinários nacionais e internacionais.

Mas não só.

Os Irmãos da Luz, um a um, como que luzes que agora se separavam do arco-íris, passavam a ter nomes. E falavam através dele, escreviam através dele, materializando os conselhos, as orientações, os ensinos, o descortinar da imortalidade sem fim.

Inicialmente, foram as mensagens-volantes, impressas e distribuídas gratuitamente pelas Instituições religiosas.

Ato contínuo, essas mensagens eram publicadas pela imprensa espírita, aqui e ali.

Logo mais, esses escritos foram se conformando em diversos livros – 37 títulos -, reunindo os ditados de vários Espíritos Benfeitores, veiculados em mais de um idioma.

Sim, é ele, aquele menino-criança-médium que um dia foi alertado pela mãezinha: Esses seres, que nem todos percebem, e com os quais você conversa, aqui estão para convidá-lo a fazer o bem, vindo a repartir esperanças, a paz e a sabedoria, ensinando que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Dentre as luzes do arco-íris vivo de sua infância, a mais safirina, sempre em destaque, um dia – 15 de março de 1974 – ganhou forma aos seus olhos, voz aos seus ouvidos e palavras em suas escritas. Suave e cativante figura aproximou-se dele e, tendo Raul entrado em estado de transe inconsciente, escreveu a seguinte mensagem:

Meu filho, Jesus, cujo nome vem sendo proferido por nós ao longo das eras e, ao mesmo tempo, por nós incompreendido, deverá ser a nossa Estrela Maior, a nossa Inspiração Maior, o nosso Aconchego Maior. Se lograrmos dar conta desse compromisso, iniciado há tantos séculos sem o necessário êxito, sorveremos a ventura no cálice da vitória, milenarmente suspirada. O tempo urge, filho, e não o teremos demasiado… Esqueça-se a si mesmo; recorde-se, porém, dos velhos deveres junto ao Irmão Seráfico de Assis, e que nada nos detenha. Vamos meu filho, pois o Divino Amigo tem-nos sob o Seu olhar de misericórdia, e teremos bem pouco tempo...

Assim apresentava-se Camilo, que desde então vem sendo um verdadeiro amigo e diligente professor na vida de Raul Teixeira. Guia paternal e afável. Responsável pela nobilíssima trajetória desse incansável amigo-irmão de todos nós: Raul Teixeira, cuja lida completou, no ano de 2017, a significativa marca de 50 anos de serviço mediúnico em prol da Humanidade.

A Federação Espírita do Paraná se soma aos demais espíritas do mundo para, juntos, homenagearmos esse exemplar trabalhador do Cristo na Terra, pelo muito que tem feito pelo Bem e pelo Amor, sementes de vida eterna que suas mãos espalham pelos caminhos humanos.

Os Irmãos da Luz já não mais se limitam às visitas de ontem naquela casa simples no bairro do Caramujo, em Niterói, Rio de Janeiro, encantando e surpreendendo a criança-médium.

Por intermédio de suas consolidadas faculdades psíquicas, hoje eles visitam à nós todos pela fala, pela escrita, pelas variadas percepções de um homem, que faz a diferença, e, esquecido de si próprio, faz-se luz, permitindo que a Mensagem-Luz chegue até nossos corações.

Raul Teixeira, suas mãos operosas refletem as ações do Cristo, a Quem manifestamos nossa gratidão por nos ter oportunizado sua presença amiga dentre nós.

Jesus sempre contigo!

Rejubilamo-nos com o jubileu de ouro de seu labor mediúnico e pelos mais de 40 anos de oratória.

Agradecemos por seu trabalho, por sua amizade, por sua dedicação, por seu exemplo, ensinando-nos, sobretudo e especialmente, a partir de novembro de 2011, como o verdadeiro espírita deve viver a adversidade.

Obrigado pelos tantos Encontros com os jovens, os coordenadores de Juventude, os trabalhadores espíritas, os dirigentes.

Obrigado pelas tantas vezes que compartilhou conosco o seu saber, estabelecendo diretrizes seguras para o nosso Movimento Espírita Estadual que bem pode ser assinalado como antes e depois de sua segura ação orientativa.

Obrigado por ter estado conosco nas Conferências Estaduais, nos Simpósios Estaduais de Espiritismo, nos programas radiofônicos e televisivos. Obrigado por suas luzes do ontem, obrigado por suas luzes do hoje.

Texto do vídeo em homenagem a Raul Teixeira,
em 16.3.2018, na XX Conferência Estadual Espírita, em Pinhais.

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