Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87
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50 anos depois

abril/2014 - Por Maria Helena Marcon

Este livro pode ser considerado como continuação de Há 2000 anos, pois nos apresenta as reencarnações de dois dos protagonistas daquele.

O orgulhoso senador Públio Lentulus Cornélio reaparece aqui, como Nestório, renascendo em Éfeso. De origem judia, escravizado por romanos, é conduzido ao país de sua anterior existência.

Nos seus quarenta e cinco anos presumíveis, mostra em seu porte um orgulho silencioso e inconformado. Apartado do filho, que também fora escravizado, volta a encontrá-lo durante uma pregação nas catacumbas onde tinha a responsabilidade da palavra.

Outras personagens de Há 2000 anos, explica Emmanuel, embora estivessem na mesma época reencarnados, mourejavam em outros setores, portanto, não tendo contempladas suas trajetórias nesta obra.

Pompílio Crasso, contudo, aquele companheiro do senador romano, que teve seu coração arrancado do peito, às ordens severas de um chefe cruel e vingativo, é Helvídio Lucius nas páginas de 50 anos depois.

Como Públio já aderira, na encarnação anterior, à mensagem cristã, traz a fé ínsita em sua alma. Ainda é o homem nobre, fiel cumpridor dos seus deveres.

Os patrícios somente não lhe podem tolher a liberdade de servir ao Cristo. Mesmo instado por Helvídio Lúcius a se retratar, quando aprisionado, acenando-lhe com o perdão o deslize de ser cristão, Nestório opta por permanecer fiel até o fim.

Encerra sua reencarnação, ao lado do filho, Ciro, igualmente cristão, em uma festa do Imperador Adriano, mortos a flechadas envenenadas, no circo.

A figura central das  mais de trezentas páginas é Célia, cujo coração, amoroso e sábio, entendeu e aplicou todas as lições do Divino Mestre, no transcurso doloroso de sua vida. Célia paira como um anjo, acima de todas as contingências da Terra.

Santa pelas virtudes e pelos atos de sua existência edificante, seu Espírito era bem o lírio nascido do lodo das paixões do mundo, para perfumar a noite da vida terrestre, com os olores suaves das mais divinas esperanças do Céu.

Ela assume culpas que não são suas, sofre o abandono total da família e, a fim de sobreviver, num mundo de muitas ciladas, assumirá papel masculino, internando-se em um mosteiro, junto a quatro dezenas de cristãos ricos, desiludidos dos prazeres do mundo,  em Alexandria, tomando o nome de Irmão Marinho.

As descrições do ambiente que ela encontra denotam que já, no século segundo, o Cristianismo assumia feições que o distanciavam da simplicidade das catacumbas. O mosteiro assinala um ponto de partida para o sacerdócio organizado sobre bases econômicas, eliminativas de todas as florações do messianismo.

Será ali, sofrendo ardilosa calúnia, que Célia/Irmão Marinho trabalhará exaustivamente no cultivo das hortaliças, aproveitando os crepúsculos para as meditações e os estudos, que pareciam povoados de seres e de vozes carinhosas do Invisível.

Ali exercerá a atividade da imposição das mãos, recebendo pobres e aflitos de todas as categorias sociais, que a buscavam rogando as bênçãos de Jesus.

A descrição de sua desencarnação é um do momentos mais emocionantes do livro. Ela se despede da Terra, quando o sol se preparava para mergulhar no horizonte, e as crianças a quem ela evangelizara, acolhera e amara, em sua casinhola do horto, nos fundos do mosteiro, a rodeiam, dando-se as mãos e entoam o hino de sua preferência, o Hino do Entardecer.

Emmanuel nos traz os versos delicados desse hino e ficamos a imaginar quão sublime deve ter sido a música que os acompanhavam.

Foi recepcionada, na Espiritualidade, por seus pais, avô, por Nestório, o benfeitor que lhe cedera o nome e a figura encantadora de Ciro, seu grande amor, que, nessa sua reencarnação, após morrer no circo, por amor a Jesus, retornara aos braços dela, por duas vezes, por breves períodos.

Quem leu Há dois mil anos, não poderá deixar de se extasiar com este romance e, na sequência, Renúncia e Ave, Cristo, todos do mesmo autor espiritual, que prossegue narrando suas reencarnações pela Terra.

Hino do Entardecer

Louvado sejas, Jesus!

Na aurora cheia de orvalho,

Que traz o dia, o trabalho,

Em que andamos a aprender.

Louvado sejas, Senhor!

Pela luz das horas calmas,

Que adormenta as nossas almas

No instante do entardecer…

 

O campo repousa em preces,

O céu formoso cintila,

E a nossa crença tranquila

Repousa no teu amor.

É a hora da tua bênção

Nas luzes da Natureza,

Que nos conduz à beleza

Do plano consolador.

 

É nesta hora divina,

Que o Teu amor grande e augusto

Dá paz à mente do justo,

Alívio e conforto à dor!

Amado Mestre abençoa

A nossa prece singela,

Faze luz sobre a procela

Do coração pecador!

 

Vem a nós!  Do céu ditoso,

Ampara a nossa esperança,

Temos sede de bonança,

De amor, de vida e de luz!

Na tarde feita de calma,

Sentimos que és nosso abrigo,

Queremos viver contigo,

Vem até nós, meu Jesus!…

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