Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2020 Número 1626 Ano 87

Rendendo o devido tributo

outubro/2013

Outubro é mês que nos convida a render tributos, em nome da gratidão, àquele homem que ousou destinar de seu tempo para pesquisar o inusitado, o impensado;

que ousou deixar a exatidão dos números tão bem postos em seus livros de matemática, para incursão no desconhecido continente do Espírito imortal;

que ousou contrapor-se ao estado vigente das ideias, dogmas e postulados doutrinários e religiosos, até então reinantes, trazendo novas luzes ao pensamento do homem moderno;

que ousou apresentar ao público o resultado de suas pesquisas, de caráter científico, filosófico e religioso, em escritos na língua pátria, contrariando as seculares tradições dos catedráticos em somente o fazer em latim;

que ousou inovar a apresentação de tratados filosóficos em linguagem menos formal e método de perguntas e respostas, muito mais usadas no campo educacional, trazendo a mensagem para bem perto do povo;

que ousou renunciar ao seu reconhecido e respeitado nome, no meio acadêmico e cultural da época, para adotar um desconhecido pseudônimo, a fim de não influenciar conclusões dos leitores em face do nome que assinasse os tratados da Era da Imortalidade, repassando todo o mérito das obras aos seus verdadeiros autores: os Espíritos;

que ousou responder, definitivamente, as grandes indagações filosóficas, que perduraram por incontáveis tempos: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou?

Que ousou dispor de todos seus recursos pessoais, inclusive a própria saúde, a fim de construir, em alicerces inamovíveis, uma nova ordem de conhecimentos e orientações para a Humanidade, estabelecendo um marco divisor das eras, configurando o início da Era do Espírito imortal;

que ousou repetir as máximas de Jesus, o Cristo, embasando nova formulação para a fé verdadeira, a que pode encarar frente a frente a razão, em qualquer época da Humanidade;

que ousou apresentar ao mundo o Consolador prometido e tão esperado por todos nós;

que ousou facultar-nos ouvir, nos tempos de agora, o mesmo cântico do Amor Pleno: Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos. Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me.

Sim, o tributo é devido ao filho de Lyon, França, Hippolyte Léon Denizard Rivail, le professeur Rivail, conhecido mundialmente como Allan Kardec, que nasceu em 3 de outubro de 1804.

Como simpatizantes do Espiritismo, podemos render-lhe tributo, melhor apreciando o espírito das letras dessa nova Doutrina, pois os que compreendem o Espiritismo filosófico e nele veem outra coisa, que não somente fenômenos mais ou menos curiosos, diversos são os seus efeitos.

O primeiro e mais geral consiste e desenvolver o sentimento religioso até naquele que, sem ser materialista, olha com absoluta indiferença para as questões espirituais. (…)

O segundo efeito, quase tão geral quanto o primeiro, é a resignação nas vicissitudes da vida. (…)

O terceiro efeito é o estimular no homem a indulgência para com os defeitos alheios. (…)[1]

Como espíritas, que nosso tributo diário seja o nosso esforço por nos tornarmos homens de bem, recordando que o verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.[2] E guardando na vida diária, como mandamentos: Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: “Irmãos! Nada perece. Jesus-Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade.”[3]

Como trabalhadores desse Movimento, que se origina com nossa busca dos conhecimentos espíritas e com nosso envolvimento com a divulgação do Espiritismo, o nosso tributo venha consubstanciado no convite-apelo: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”,  porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra”[4]

Todos nós, hoje sabedores que o Consolador prometido está de volta, revestido como a Doutrina da Esperança, não tenhamos, de nossa parte, receio em ousar, positivamente, adotando as diretrizes cristãs para nortearem nossa existência.  Sabiamente nos disse Charles Chaplin: Vá à luta com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe e vença com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante.

É natural, portanto, que nós, os Espíritos encarnados e desencarnados, que fomos beneficiados pelas luminíferas claridades da Doutrina Espírita, evocando o teu renascimento em Lyon, no já longínquo-próximo 3 de outubro de 1804, repitamos, em coro de agradecimento e júbilo:

– Deus te abençoe, Hippolyte Léon Denizard Rivail, inolvidável mestre Allan Kardec, apóstolo da Era Nova, por todas as gloriosas contribuições que nos trouxeste ao conhecimento em nome de Jesus-Cristo, através dos Seus Mensageiros, a fim de que nestes dias, igualmente tumultuosos, possamos confiar no amanhã, construindo a felicidade no imo dos corações![5]



[1] KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. Conclusão, item VII, ed. FEB.

[2] __________. O Evangelho segundo o Espiritismo. Cap. XVII, item 3, ed. FEB.

[3] Idem. Cap. VI, item 5.

[4] Idem. Cap. XX, item 5.

[5] FRANCO, Divaldo Pereira. Espiritismo e vida. Vianna de Carvalho, cap. 13, ed.  LEAL.

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