Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

3º Encontro Estadual de Evangelizadores

Os Saberes necessários à tarefa da evangelização

novembro/2010

Nos dias 16 e 17 de outubro ocorreu o 3º Encontro de Evangelizadores da Infância com o tema “Os Saberes necessários à tarefa da evangelização”, sob organização geral da equipe do DIJ da FEP e coordenação de estudos de Sandra Borba Pereira e Cláudia Farache Lemos.

Foram dois dias de intensas emoções e aprendizado sobre a tarefa de evangelizar.  O evento foi realizado na sede da FEP, no entanto, os evangelizadores do interior foram hospedados no belíssimo Recanto Lins de Vasconcellos. O encontro teve início no sábado pela manhã com uma calorosa recepção aos evangelizadores, que após receberem um kit em uma bolsa ecológica, adentraram no Teatro da FEP.

Na abertura, estiveram presentes na composição da mesa: Francisco Ferraz Batista (Presidente da FEP), Luiz Henrique da Silva (1º Vice-Presidente), Daniel Dallagnol (2º Vice-Presidente), Tatyanna Braga de Moraes (Diretora do DIJ), Cláudia Farache Lemos, de Natal-RN (coordenadora dos estudos) e as convidadas Odésia Queiroz (Diretora do DIJ da Federação Espírita Pernambucana) e Suely Mesquita (Assessora pedagógica da mesma  participaram do lançamento da primeira campanha de evangelização da FEB, e desde então trabalham com a evangelização.

Após a prece de abertura conduzida por Luiz Henrique, o presidente da FEP esclareceu que a prioridade de seu mandato seria o apoio ao DIJ, pois sabe, por experiência própria, que o trabalho com a evangelização exige muita presença, trabalho, dedicação e tolerância.

Ressaltou que o DIJ propiciou, além da assessoria natural (apostilas, orientações, site), a realização no  ano de 2010 de quatro seminários. “O estudo da Doutrina Espírita e a Juventude”, “Evangelizador: servidor de Jesus”, “Pais e Evangelização – desafios de urgência”e “Evangelização no SAPSE”, totalizando 41 viagens para aplicar os seminários. O presidente também expôs que uma proposta de sua gestão era ampliar a equipe do DIJ, a qual atualmente é composta por 10 integrantes de várias cidades do Estado.

Anunciou a realização de dois novos seminários para o próximo ano: “Juventude e Mediunidade” e “O Jovem e o Movimento Espírita”.

Concluiu, ressaltando que o departamento está em fase de finalização do censo, terminando a revisão do projeto “Como Fazer: DIJ” e que no dia doze de outubro houve o lançamento do livro “Uma Oficina chamada Terra”.

Informou que em 2008, a equipe do DIJ se reuniu com os coordenadores dos quatro encontros regionais de juventude do Estado (EEV, CONMEL, ENCORAJE, ENJUVESP), externou o apoio federativo a esses encontros e disse que neste ano, houve uma coordenação conjunta, partilhando os mesmos ideais com a FEP. Para o próximo ano, já está sendo elaborado o “XI Encontro Confraternativo de Juventudes Espíritas do Paraná”, no período do carnaval (5 a 8 de março) com o tema central «O Jovem e a Ecologia».    Por fim, chamou os coordenadores presentes e ressaltou que foi realizado um trabalho em equipe com o slogan “Estamos juntos!”.

Após a fala de Francisco, a coordenadora do setor da infância do DIJ/FEP, Beth Bianco, compartilhou com todos o currículo da coordenadora dos estudos da manhã, Cláudia Farache Lemos – doutora da área da educação com estudos direcionados a Educação Infantil e trabalhadora da evangelização e do movimento espírita do Rio Grande do Norte.

Cláudia iniciou a sua exposição ressaltando a alegria que é o trabalho na construção e na edificação da evangelização e que a tarefa da evangelização requer trabalho em grupo e muita interação.

Esclareceu que, quando esteve diante do tema, procurou uma frase dentro do evangelho de Jesus que pudesse externar a ideia proposta, e a frase encontrada por ambas coordenadoras foi extraída da passagem na qual Jesus conversa com Nicodemos, referente à reencarnação: “Pois quê! És mestre em Israel e ignoras estas coisas?” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. IV, item 5). Segundo a coordenadora, Jesus, ao se dirigir a Nicodemos, ressalta que ele deveria ter os conhecimentos necessários para a compreensão das coisas do mundo e do que diziam as escrituras. Assim, abriu o tema “Os saberes necessários à tarefa da evangelização” fazendo um panorama histórico sobre os saberes pautados nas teorias educacionais. Fez uma construção teórica da evolução dos saberes necessários à pratica educativa e apresentou os saberes que pautarão os estudos. Lançou para evangelizadores a seguinte questão: “Como o homem constrói os conhecimentos (os saberes) necessários para viver, conviver e impulsionar a sua vida na Terra?” Nesse momento houve uma participação dos integrantes,     expondo suas respostas. A coordenadora Cláudia Lemos reiterou o assunto, dizendo que, segundo as definições de Gauthier, Tardiff e Pimenta “Os saberes compõem o corpus de conhecimentos adquiridos pelo sujeito, seja como profissional, seja como pessoa, ao longo da sua trajetória na Terra. A Doutrina Espírita amplia essa visão com os conceitos de imortalidade e reencarnação.”

Expôs que os saberes são diferentes, de acordo com: participação em instituições sociais; aspectos da cultura e do contexto sócio cultural; experiências de vida no contato com o outro, na interação; acesso ao conhecimento sistematizado, observação, reflexão e intuição.

Nesse panorama dos saberes, esclareceu que a tarefa da educação engloba o exercício da profissão de professor: quefazer específico, o ofício mais antigo, exercido através dos gurus e sacerdotes das civilizações mais recuadas, grandes sábios das civilizações mais adiantadas e preceptores ilustres da época moderna, denominados “profissionais do ensino” na atualidade. Assim, pode-se concluir que a evangelização está inteiramente ligada à educação, e que, dessa forma, os saberes pertinentes à educação podem ser aliados aos saberes pertinentes à evangelização.

Como forma de visualização dos saberes pautados nos autores estudados segue o quadro abaixo: (VER QUADRO SABERES 1)

Depois da apresentação do quadro dos saberes relacionados à educação, Cláudia traçou um paralelo referente à Evangelização e à Educação, destacando que a Evangelização da criança e do jovem é uma das atividades fundamentais do Movimento Espírita, é uma ação de caráter pedagógico, visando a formação das novas gerações à luz do Espiritismo.

Esclareceu que a Doutrina Espírita tem uma proposta de educação, e quem se propõe a estudá-la pode conhecer obras como: Pedagogia espírita (J. Herculano Pires), O Mestre na Educação (Vinícius), Introdução ao estudo da Pedagogia Espírita (Walter Oliveira Alves), Reflexões pedagógicas à luz do Evangelho (Sandra Borba), dentre outros.

A pessoa que deseja desempenhar a tarefa de Evangelização Espírita Infanto-Juvenil deve possuir conhecimento da Doutrina Espírita e boa moral como embasamento.

Pautada nas mensagens de Bezerra de Menezes/Divaldo Franco, ressaltou que o evangelizador deve ter como necessidade igualmente primordial, o conhecimento de Pedagogia, Psicologia e Metodologia, sem deixar à margem o alimento do amor, indispensável em todo cometimento de valorização do homem. A especificidade da tarefa da Evangelização não se compraz com improvisações descabidas, razão pela qual os servidores integrados na Evangelização devem buscar, continuamente,

a atualização de conteúdos e procedimentos didático pedagógicos, visando um melhor rendimento, em face da economia da vida na trajetória da existência, considerando-se que, de fato, os tempos são chegados.

Para mostrar que a Educação e a Doutrina estão interligadas, utilizou-se de Joanna de Ângelis, quando a mentora diz: “Não mais a fixidez tradicional, porém os métodos móveis da oportunidade criativa”. Em relação à tarefa, finalizou com a frase: “Insistamos, mesmo quando os resultados não sejam os esperados. Em tais casos, busquemos melhorar métodos e aperfeiçoar lições, e prossigamos resolutos.” (Francisco Spinelli/Divaldo Franco).

Para finalizar, propôs ao grupo uma reflexão pessoal, a questão central que constitui o ponto de partida: “Quais os saberes necessários ao evangelizador espírita no desenvolvimento da sua ação educativa junto às crianças?”. Com o embasamento teórico aliado aos depoimentos dos evangelizadores, a coordenação dos estudos separou os participantes em grupos que se puseram a pensar na seguinte questão: “Evangelizar exige…”, (questão inspirada no livro “Pedagogia”, de Paulo Freire, que aborda “Educar exige”).

Desta forma foram finalizadas as atividades da manhã.

Após o intervalo para um delicioso almoço e descanso, os participantes retornaram para o teatro com um acolhimento através da música. No período da tarde, sob a coordenação de Sandra Borba, os grupos expuseram suas conclusões que foram anotadas para posteriormente comporem os saberes da Evangelização. Em seguida, Sandra Borba reiniciou as atividades com a frase que norteia o evento: “Pois quê! És mestre em Israel e ignoras estas coisas?” e propôs um momento de reflexão com os evangelizadores: “Como você está habilitado na tarefa de Evangelização?”. Ressaltou que a tarefa de Evangelização não se harmoniza com improvisação, rotina e baixa qualidade. Assim, perguntou ao grupo: ”Estamos desenvolvendo a tarefa com dedicação?”. Esclareceu que sempre somos ignorantes no sentido de desconhecer algo, mas que isto não impede que busquemos o conhecimento sobre o assunto, pois a tarefa de evangelizar está ligada ao compromisso de aprimorar-se. Sandra Borba expôs que a partir das leituras dos autores citados, bem como das reflexões em torno do processo pedagógico da Evangelização, podemos identificar alguns saberes necessários ao tarefeiro da Evangelização, que são:

Saberes do conhecimento espírita

Dizem respeito ao domínio do conteúdo espírita pelo evangelizador, imprescindível a quem se propõe a abraçar a tarefa de evangelizar: leituras, pesquisas, estudo sistematizado, reuniões públicas e eventos doutrinários de qualidade. “Conhecereis a Verdade e ela vos libertará.” (Jesus, Jo 8:32).

Saberes institucionais, históricos e curriculares

Incluem conhecimento acerca da organização do Movimento Espírita, com destaque para seu histórico e diretrizes; domínio dos documentos produzidos pelo Movimento Espírita na área (currículo, proposta curricular, material de apoio); conhecimento das orientações da Casa em que desenvolve a tarefa e do setor onde atua (projeto pedagógico, por exemplo). “O que está escrito na Lei?” (Jesus indaga ao fariseu).

 

Saberes didático-pedagógicos

Refere-se ao domínio de saberes sobre o processo ensino-aprendizagem, características e interesses das faixas etárias, planejamento e avaliação, conhecimento de dinâmicas, recursos, articulação dos conteúdos com o que ocorre no cotidiano, domínio de práticas específicas como narrar histórias, aplicar jogos, cantar, dramatizar… “Jesus é o exemplo do Mestre dinâmico, dialógico, problematizador, provocando saberes nos seus ouvintes”.

Saberes contextuais

Identificação de características da comunidade e dos evangelizandos, conhecimento acerca das expectativas de pais, evangelizandos, evangelizadores, dirigentes e comunidade. “Que direi eu que é semelhante a essa geração?” (Jesus)

Saberes experienciais

Repertório de saberes oriundos das próprias experiências dos evangelizadores, suas práticas individuais e/ou coletivas, suas leituras e observações. “Ajuda-te e o Céu te ajudará. Buscai e achareis.” (Jesus)

Após a explanação dos saberes, evidenciou-se que da exposição dos grupos nasceram novos saberes, que serão apresentados na manhã de domingo. Finalizou a tarde estimulando os evangelizadores a verificarem seus saberes e quais necessitam adquirir para melhorarem sua prática na Evangelização.

No período noturno, os participantes foram presenteados com uma peça teatral do Setor de Artes da FEP: “E se um dia… A história do convertido de Damasco”. Após o teatro, os evangelizadores do interior se dirigiram ao Recanto Lins de Vasconcellos para pernoitar.

Na manhã de domingo, após o momento musical, o encontro teve seu andamento com Sandra Borba e Cláudia Lemos, que dividiram novamente os grupos para discutirem as questões: “Evangelizador desmotivado, faltoso e sem planejamento”; “Evangelizando de um núcleo de periferia aparece com marcas de violência física”; “Criança extremamente passiva, sem atitude participativa”; “Numa turma de 2º ciclo (9 a 10 anos), três meninos apresentam comportamentos de violência com os colegas”; “Numa sala de Evangelização chega uma criança portadora de necessidades especiais e a turma a rejeita”; “Evangelizador trabalha com faixas etárias diferentes na mesma sala, por falta de evangelizadores”.

Os grupos responderam às questões pautados em suas vivências como evangelizadores. Durante a explanação dos grupos, as coordenadoras aliaram os saberes experienciais dos evangelizadores com os saberes didático-pedagógicos, ressaltando a importância da Evangelização e a postura do evangelizador para melhorar sua prática. As coordenadoras, juntamente com alguns componentes da equipe do DIJ, definiram dois novos saberes: “Saberes da gestão” e “Saberes  ético morais”, que durante estes dois dias apareceram com muita frequência nos grupos de estudo. Desta forma, os saberes necessários à Evangelização ficaram assim definidos:

O encontro foi finalizado com a palavra de ambas coordenadoras ressaltando a importância da tarefa na Evangelização, onde os evangelizadores precisam ampliar seus conhecimentos sobre o movimento espírita, sobre as leis que regem a infância e a juventude e estarem atentos a tudo o que se refere à infância, e reforçando a importância dos quatro pilares da educação, aliados aos saberes necessários da evangelização.

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