Jornal Mundo Espírita

Abril de 2021 Número 1641 Ano 89

1861 – 2011 Sesquicentenário do 4º volume da Revista Espírita, de Allan Kardec

abril/2012 - Por Enrique Eliseo Baldovino

Escrevemos no Jornal Mundo Espírita1 que, no período 2008-2019 teríamos a honra de comemorar, em todos esses anos, os Sesquicentenários de lançamento de cada um dos doze extraordinários volumes da Revue Spirite – Journal d’Études Psychologiques, publicados e dirigidos com grande lucidez pelo eminente Codificador Allan Kardec, de 1858 a 1869. Constatamos, em nossas pesquisas, que os contextos históricos e doutrinários de cada um desses anos são diferentes, assim como o ano em foco, cujas investigações foram resumidas no presente artigo e extraídas da nossa tradução2 do francês para o espanhol, da Revista Espírita de 1861 (ver foto), onde abordamos o contexto geral do ano de 1861 (RE fev. 1861–VII b: Ensinos dos Espíritos – O ano de 1861, pelo Espírito São Luís [Sociedade, 28 de dezembro de 1860], página 60), tal como já o fizemos com a Revista de 18603, de 18594 e com a Revista de 18581.

 

1ª edição histórica de O Livro dos Médiuns (15/01/1861)

Após um formidável trabalho de pesquisa doutrinária de Kardec, junto aos Espíritos Superiores, sai a lume a 2ª Obra da Codificação Espírita: Le Livre des Médiums, lançada em Paris na terça-feira, 15 de novembro de 1861, data exata conforme o registro do próprio Codificador na RE mar. 1861–I: O Espiritismo continua vivo – A propósito do artigo do Sr. Deschanel, publicado no Journal des Débats, p. 71 (paginação original da EDICEI).

Nessa 1ª edição, o Livro estava composto da seguinte maneira: Introdução, VI capítulos na 1ª Parte e XXVIII capítulos na 2ª Parte, sem divisão por itens. O capítulo I (Vocabulaire Spirite), com nada menos de noventa páginas, detalhava duzentos vocábulos, com as suas definições ou entradas (principais e secundárias), tendo no conteúdo desse capítulo e de outros a resposta do porquê o Codificador não editou mais o opúsculo Instruction Pratique sur les Manifestations Spirites, que continha o detalhamento de cento e quinze vocábulos.

Sesquicentenário de Le Livre des Médiums

No ano de 2011, teve lugar a merecida comemoração do Sesquicentenário de O Livro dos Médiuns, lançado em 15/01/1861 por Didier e Companhia, livreiros-editores (Quai des Augustins, 35), pelo Sr. Ledoyen, livreiro (Galerie d’Orléans, 31, no Palais-Royal), livro também encontrado no escritório da RE – Revista Espírita (rue et passage Sainte-Anne, 59). A imprensa da época [imprimerie ou typographie – o que seriam as gráficas atuais], onde foi impresso Le Livre des Médiums, com IV-495 páginas, in 12º, é a seguinte: Imprimerie de P.-A. Bourdier e Companhia, rua Mazarino, 30, em Paris.

Com referência ao Livre Cinquième (Livro Quinto de O Livro dos Espíritos), não publicado, que constitui o elo encontrado entre Le Livre des Esprits e Le Livre des Médiums, veja-se o nosso artigo neste prestigioso Jornal5. Por outro lado, o registro da publicação de Le Livre des Médiums nas páginas históricas da Revue Spirite, encontra-se na RE jan. 1861–II: O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, pp. 6-7.

Várias matérias de O Livro dos Médiuns foram elaboradas antes na Revista Espírita, como, por exemplo, o artigo que está na RE jan. 1861–VI c: Ensinos espontâneos dos Espíritos – A voz do anjo da guarda (médium: Srta. Huet), pelo Espírito Channing, p. 32. Esse artigo será transcrito com poucas variações na 2ª Obra básica (cap. XXXI, dissertação X), com um título diferente: Sobre os médiuns, mas sem indicação da médium.

Artigos da Revista na Codificação

Pela sua importância histórica citamos, a seguir, alguns dos artigos da Revista que têm servido de base a diversos capítulos e evocações de O Céu e o Inferno (lançado em 01/08/1865), matérias que anos antes já haviam sido preparadas, no grande laboratório doutrinário da Revista Espírita. Alguns desses artigos são os seguintes:

RE fev. 1861–I-c: Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas – Resumo das Atas – Sexta-feira, 4 de janeiro de 1861, p. 36, que registra um diálogo espontâneo, na SPEE, entre o monsenhor Sibour (arcebispo de Paris) e o seu assassino (o jovem sacerdote Jean-Louis Verger); o Codificador registra em O Céu e o Inferno (CI) a evocação do Espírito Verger, no capítulo VI: Criminosos arrependidos, no primeiro item, intitulado: Verger, assassino do arcebispo de Paris;

RE fev. 1861–V a: Conversas familiares de Além-Túmulo – O suicídio de um ateu (Evocação do Sr. Jean-Baptiste D…; Sociedade de Paris), pp. 53-54. No livro Le Ciel et l’Enfer corresponde ao cap. V: Suicidas, evocação que leva o nome: Um ateu. No belo opúsculo Qu’est-ce que le Spiritisme, Kardec remete a esse caso na questão nº 160;

RE jun. 1861–IV a: Conversas familiares de Além-Túmulo – O marquês de Saint-Paul, pp. 174-176, artigo publicado depois por Kardec, com o título homônimo, no cap. III do CI: Espíritos em condições medianas;

RE jun. 1861–IV c: Conversas familiares de Além-Túmulo – A Sra. Anaïs Gourdon, pp. 179-181, conversa transcrita (item homônimo) no cap. II do CI: Espíritos felizes. Kardec remete a esse artigo na questão nº 162 de O Que é o Espiritismo (QE);

RE set. 1861–II: Conversas familiares de Além-Túmulo – A pena de talião (Evocação de Antonio B…, enterrado vivo; Sociedade, 9 de agosto de 1861; médium: Sr. d’Ambel), pp. 270-273. Esse artigo foi transcrito, com algumas variações, no cap. VIII do CI: Expiações terrestres, evocação intitulada: Antonio B… (Enterrado vivo – A pena do talião). O mestre de Lyon remeterá ao triste caso nas questões 123 e 160 do QE;

RE out. 1861–IV a: Ensinamentos e dissertações espíritas – Os cretinos (Sociedade Espírita de Paris; médium: Sra. de Costel), pelo Espírito Pierre Jouty, pai da médium, pp. 311-313, dissertação referente ao item do CI: Charles de Saint-G…, deficiente mental – Instruções de um Espírito sobre os deficientes mentais e os cretinos, dadas na SPEE.

2ª Viagem Espírita em 1861

A 2ª Viagem Espírita do missionário da Codificação é histórica em todos os sentidos. Cientes, pelas notícias da Revista Espírita de 1861, que a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE) entraria em férias de 15 de agosto a 1º de outubro de 1861, os espíritas de Lyon (mediante carta do Sr. C. Rey) e os de Bordeaux (por carta de A. Sabò) se apressaram em convidar o mestre lionês para honrar, com a sua presença, os confrades dessas cidades. Allan Kardec vai, em setembro, a Lyon (RE out. 1861–I: O Espiritismo em Lyon, pp. 289-303), visitando de passagem as cidades de Sens e de Mâcon, onde recebeu simpática acolhida. A distância de Paris a Lyon, em linha reta, é de 400 km; de Lyon a Bordeaux é de 425 km e o retorno de Bordeaux a Paris é de 500 km6, enormes distâncias (1.325 km), que o incansável Allan Kardec percorreu em nome da amada Doutrina, em parcos transportes da época.

Ao visitar os espiritistas de Bordeaux (RE nov. 1861–III: O Espiritismo em Bordeaux, pp. 327-348), na reunião geral dos espíritas dessa cidade, em 14 de outubro de 1861, para a instalação da Sociedade Espírita de Bordeaux, o Sr. Sabò pronunciou o discurso de abertura, cujo final é um hino de merecido reconhecimento ao Codificador. Kardec, no seu discurso, aponta as causas da força do Espiritismo e o contra-senso dos adversários da Doutrina. No final, o Codificador diz emocionado: «Como Lyon, Bordeaux vem de plantar, orgulhosamente, a bandeira do Espiritismo, e o que vejo me é garantia de que não a deixará ser arrebatada. Bordeaux e Lyon!, duas das maiores cidades da França: focos de luzes!»

Epístolas do Espírito Erasto

Quando da 1ª Viagem Espírita (1860) de Kardec, somente existia um Centro de reunião em Lyon: o do Sr. Dijoud e esposa (em Brotteaux, nos arredores de Lyon). Em 1861 havia em diferentes pontos da cidade, vários Grupos formados (Guillotière, Perrache, Croix-Rousse, Vaise, Saint-Just etc.), sem contar as reuniões particulares. Diversos artigos da Revue são a resultante dessa 2ª Viagem Espírita, destacando-se os profundos discursos do Codificador (RE out. 1861–II d: Banquete oferecido ao Sr. Allan Kardec por vários Grupos Espíritas lioneses, em 19 de setembro de 1861 – Discurso de Kardec, pp. 296-303), e as memoráveis epístolas do Espírito Erasto, discípulo de São Paulo, aos espiritistas de Lyon e de Bordeaux(RE nov. 1861–IV d: Reunião Geral dos espíritas de Bordeaux – Primeira Epístola aos espíritas de Bordeaux, por Erasto, humilde servidor de Deus, pp. 348-352), mensagens dirigidas aos trabalhadores, que são preciosos documentos históricos, perfeitamente válidos para os nossos dias.

Período de Lutas

No ano de 1861, incrementam-se os ataques gratuitos contra o Espiritismo, que ocorrem através dos jornais e das revistas da época, incitando inúmeras perseguições à Doutrina e aos seus adeptos (RE jan. 1861–III: A Bibliographie Catholique contra o Espiritismo, pp. 8-15), agressões que também acontecem através de personalidades destacadas daquele tempo – antagonistas da Doutrina –, tais como:

O Sr. Émile Deschanel (pai do futuro presidente da República Francesa, Paul Deschanel); o Dr. Armand Trousseau (professor da Faculdade de Medicina de Paris); o crítico Louis Figuier (que desde 1859-1860 escrevia volumes contra o Espiritismo); o Sr. Georges Gandy (redator católico); investidas de vários padres jesuítas, que, na suas cruzadas contra o Espiritismo, proferiram violentos sermões, junto de outros sacerdotes intolerantes da época, ataques cruéis que atingiram o seu ápice no tristemente célebre Auto-de-fé de Barcelona.

Auto-de-fé de Barcelona (09/10/1861)

Sob as ordens do bispo de Barcelona, Dom Antonio Palau y Termens (Valls, Espanha, 26/07/1806 – Barcelona, 09/07/1862), foram queimados trezentos volumes e opúsculos espíritas e espiritualistas, no Auto-de-fé de Barcelona (da quarta-feira, 9 de outubro de 1861), na esplanada dessa cidade, conforme a RE nov. 1861–I +: Os restos da Idade Média – Auto-de-fé das obras espíritas em Barcelona, pp. 321-325, e segundo a RE dez. 1861–IV +: Auto-de-fé de Barcelona – 2º artigo (Veja-se o número de nov. 1861), pp. 387-388.

A própria Revue Spirite de 1861, de Kardec, foi arbitrariamente lançada ao fogo, assim como as Revistas Espíritas de 1858, 1859 e 1860, além de outros oito títulos, a saber: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Que é o Espiritismo, todos esses de Allan Kardec; A Revista Espiritualista, do diretor Piérard; Fragmento de uma Sonata, ditada pelo Espírito Mozart ao médium Brion Dorgeval; Carta de um católico sobre o Espiritismo, pelo Dr. Grand; História de Joanna d’Arc, ditada por ela mesma à senhorita Ermance Dufaux, e A realidade dos Espíritos demonstrada pela escrita direta, pelo barão de Guldenstubbé.

Esses tristes fatos foram registrados oportunamente por Allan Kardec na Revista Espírita de 1861 e numa histórica Reprografia – conjunto de técnicas que permitem reproduzir um documento –, editada pelo próprio Cofificador (ver foto) e ilustrada por um artista anônimo, cuja aquarela lhe foi enviada da Espanha e que Kardec intitulou Auto-da-fé de Barcelone (Paris: bureau da Revue Spirite: rue et passage Sainte-Anne, 59 [12/1864]), assinalando assim as lutas acerbas que venceu com dignidade, paciência e tolerância cristãs. No reverso da reprografia, o Codificador colocou os títulos queimados e relatou para a posteridade como aconteceu o processo do auto-de-fé (ver também foto).

Desencarnação do Sr. Jobard

Em 2011, cumpriu-se o sesquicentenário de desencarnação de Jean-Baptiste-Ambroise Marcellin Jobard (Baissey [Alto Marne], França, 14/05/1792 – Bruxelas, Bélgica, 27/10/1861), correspondente da Revista Espírita, engenheiro, escritor, litógrafo, inventor, fotógrafo e célebre diretor do Museu Real da Indústria Belga, membro estrangeiro da Academia de Bruxelas.

Kardec faz um belo necrológico na RE dez. 1861–III: Necrologia – Morte do Sr. Jobard, de Bruxelas, pp. 385-387, que transcreverá anos depois em O Céu e o Inferno, no cap. II: Espíritos felizes – O Sr. Jobard, junto a evocações ao ilustre desencarnado, que, quando encarnado, foi Presidente honorário da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

2ª edição definitiva de Le Livre des Médiums (Nov. 1861)

Eis a segunda edição definitiva, como a conhecemos hoje: revista e corrigida com o concurso dos Espíritos, e aumentada com grande número de instruções novas, publicada em Paris, no mês de novembro de 1861, conforme a RE nov. 1861–VII a: Bibliografía – O Livro dos Médiuns, 2ª edição, pp. 361-362 (in 12º, com VIII-510 páginas).

Nessa 2ª e definitiva edição de nov. 1861, o Livro estava composto da seguinte maneira: Introdução, IV capítulos na 1ª Parte e XXXII capítulos na 2ª Parte, com a divisão em trezentos e cinquenta itens e uma nova disposição dos referidos capítulos. Como na 1ª edição, o Codificador colocou no cabeçalho de O Livro dos Médiuns: Espiritismo experimental, e no subtítulo da Obra: Guia dos Médiuns e dos Evocadores […], constituindo o seguimento de O Livro dos Espíritos5.

Comunicações instrutivas

Belíssimas instruções foram devidamente registradas pelo ínclito Codificador na Revista Espírita de 1861, entre outras: RE fev. 1861–IV +: Carta sobre a incredulidade – Dirigida pelo Sr. Alexandre Canu a um amigo (Continuação e fim – Veja-se a RE jan. 1861, p. 15), pp. 46-52; contemporâneo de Kardec, o Sr. Canu – que esteve oportunamente no Brasil – era professor de Francês e também tradutor, legando para a posteridade a primeira e histórica tradução de uma Obra de Allan Kardec, do francês para o português: “O Espiritismo na sua expressão mais simples” (1862). Noutro artigo, o Espírito Nerval descreve, com profundidade, as características de três tipos ou protótipos de pessoas, com base na vida de três personagens célebres do teatro e da literatura universal: Hamlet, Dom Juan e Tartufo (RE fev. 1861–VII f +: Os três protótipos – Continuação [Sociedade, 21 de dezembro de 1860; médium: Sr. Alfred Didier], pelo Espírito Gérard de Nerval, pp. 62-64). A Arte continua tendo seu lugar destacado nas preciosas páginas da RE mai. 1861–VI b: Ensinos e dissertações espíritas – A Pintura e a Música (Sociedade Espírita de París; médium: Sr. Alfred Didier), pelo Espírito Lamennais, p. 158.

Na RE jul. 1861–II: Uma aparição providencial, pp. 199-201, Kardec analisa com muita propriedade essa notável e comprovada aparição, citando ao pesquisador contemporâneo escocês Robert Dale Owen (1801-1877), que também relatou em seu livro “No limite de um Outro Mundo” (1860), esse interessante caso verificado num navio, que tinha como oficial substituto o Sr. Robert Bruce, fato narrado pelo “Oxford Chronicle” de 01/06/1861 e que havia acontecido em 1828. Noutra matéria, acontecem profundos debates literários nas páginas da RE set. 1861–I: O estilo é o homem – Polêmica entre vários Espíritos (Sociedade Espírita de Paris), pp. 257-270, que se estendem por várias sessões, nas quais participam diversos Espíritos de escol: Buffon (autor do aforismo debatido: O estilo é o homem), Lamennais, o visconde Delaunay (pseudônimo de Madame Delphine de Girardin), Bernardin de Saint-Pierre e Gérard de Nerval, artigo que conclui com a sábia opinião do Espírito Erasto, que encerra o debate de forma magistral. O Codificador finaliza o ano com o importante texto doutrinário da RE dez. 1861–II: Organização do Espiritismo, pp. 370-385, que vale a pena estudar profundamente pela sua grande atualidade.

Outras dissertações e evocações notáveis aconteceram na citada Revista, algumas delas assinaladas no histórico Boletim da SPEE (onde foram transcritas as atas de cada sessão, sendo que, em fevereiro de 1861, conclui o registro desses valiosos documentos), comunicações que foram ditadas por Espíritos diversos: João Evangelista, Madame de Staël, Balthazar, a senhora Bertrand, Cazotte, Alfred Leroy, Jules Michel, Claire, Novel, Adolfo (bispo de Argel), Channing, René da Provença, Lázaro, Léon J…, André Chénier, Fénelon, Bossuet, O Espírito de Verdade, Henri Murger, lady Esther Stanhope, Georges, lord Byron, Hoffmann, o Espírito Leão X (papa Giovanni de Médici), São Luís, Marcillac, Massillon, a senhorita Pauline M…, Alfred de Musset, Eugène Scribe, Espíritu Necker (pai de Madame de Staël), Charles Nodier, Victor Poinsot, Rachel, Carlos Magno, Jean-Jacques Rousseau, Sócrates etc.

Registros de 1861 em Obras Póstumas

Kardec escreveu três importantes registros do Ano 1861 em Obras Póstumas: Auto-de-fé de Barcelona – Apreensão dos livros (21 de setembro de 1861 – Em minha casa; médium: Sr. d’A…); Auto-de-fé de Barcelona (9 de outubro de 1861), e Meu sucessor (22 de dezembro de 1861 – Em minha casa; comunicação particular; médium: Sr. d’A…).

Contexto geral de 1861

Fazendo uma breve linha do tempo e observando a importância do contexto geral (sócio-cultural, político, científico e histórico) da aparição da Revue Spirite de 1861, registramos os seguintes eventos nesse ano: Começo da Guerra de Secessão nos EUA (1861-1865). O economista, filôsofo e pensador liberal inglês John Stuart Mill, publica duas obras em 1861: Utilitarismo e O governo representativo. A República Dominicana é anexada à Espanha, ocorrendo distúrbios em Santo Domingo. Eça de Queiroz é matriculado na Universidade de Coimbra, em Portugal.

Acontece a criação oficial do Reino da Itália (monarquia constitucional), assumindo Vítor Emanuel com o título de rei da Itália. Em 1861, Giuseppe Verdi é eleito deputado. O papa Pio IX publica a encíclica “Jamdudum cernimus”. Publicação do primeiro número do jornal católico L’Osservatore Romano. Urquiza é vencido por Mitre na batalha de Pavón, na Argentina. No Brasil, Dom Pedro II cria a Caixa Econômica e o Monte de Socorro da Corte (Penhor). O célebre físico William Crookes descobriu, em 1861, o elemento químico tálio, pesquisador inglês que posteriormente será uma das glórias da Doutrina Espírita.

Homenagem

Os doze volumes da Revista Espírita são, portanto, um complemento indispensável da Codificação Kardequiana, exemplares que precisam ser estudados com urgência para uma compreensão mais ampla da veneranda Doutrina Espírita. Com este artigo-homenagem, desejamos registrar o Sesquicentenário de lançamento da Revue Spirite de 1861, agradecendo especialmente a Allan Kardec pelo seu imenso sacrifício e doação em legar-nos essas páginas imorredouras.

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1. MUNDO ESPÍRITA. 150 Anos – Tributo à Revista Espírita. Artigo comemorativo de Enrique Eliseo Baldovino pelo Sesquicentenário da Revue Spirite de 1858, de Allan Kardec. Março de 2008, pp. 6 e 7 (www.mundoespirita.com.br). Curitiba, PR: FEP.

2. KARDEC, Allan. Revista Espírita – Periódico de Estudios Psicológicos. Palabras del traductor sobre el contexto general de la Revista Espírita de 1861, Año IV (www.edicei.com). Tradução do francês para o espanhol de Enrique E. Baldovino. Brasília, DF: EDICEI.

3. MUNDO ESPÍRITA. 1860 – 2010: Sesquicentenário do 3º volume da Revista Espírita, de Allan Kardec. Artigo comemorativo de Enrique Baldovino. Novembro de 2010, pp. 8 e 9. FEP.

4. _______. 1859 – 2009: Sesquicentenário do 2º volume da Revista Espírita, de Allan Kardec. Artigo comemorativo de E. B. Outubro de 2009, pp. 6 e 7. FEP.

5. _______. O Elo encontrado. Artigo de E.E.B. Junho de 2011, pp. 23 e 25, com fac-símile muito raro do Livre Cinquième [Livro Quinto] e sua tradução. FEP.

6. ATLAS MUNDIAL BÁSICO. Índice de mapas: Francia. Mapa nº 30 e escala de quilômetros. Editora PLANETA-AGOSTINI. Barcelona, 1987.

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LEGENDA DO LIVRO 1: Capa da Revista Espírita de 1861, de Allan Kardec (EDICEI, Ano IV), de cujas Palavras do tradutor extraímos o contexto geral do presente artigo.

LEGENDA DA REPROGRAFIA (frente e verso): Esta rara reprografia foi editada pelo próprio Codificador, intitulada: Auto-de-fé de Barcelona.

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