Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Três mulheres e o Nobel da Paz

março/2018 - Por Mary Ishiyama

Quando ouvimos falar sobre quem ganhou  o Prêmio Nobel da Paz, a cada ano, quase sempre pensamos que são pessoas especiais, que estão acima de qualquer equívoco.

No entanto, ao lermos sobre suas vidas percebemos que são pessoas com vícios e virtudes, erros e acertos. Exatamente como nós mesmos.

O que as difere é que não permitem que o medo e a insegurança as afaste de seus objetivos.

Através delas, Deus age, mostrando-nos que tudo é possível para aquele que persegue um ideal. Assim, os contemplados com o Nobel da Paz se equivocam, por vezes, em algumas das suas atitudes. Entretanto, o que nos deve servir de exemplo é a coragem que demonstram, saindo de suas zonas de conforto e fazer algo a benefício daquilo que a maioria apenas reclama.

O Prêmio Nobel da Paz de 2011 foi dividido entre três mulheres: Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee, da Libéria, e Tawakkul Karman, do Iêmen, por sua luta não violenta, pela segurança das mulheres e pelo direito das mulheres em participar plenamente no trabalho de construção da paz. O Comitê destacou também que não podemos atingir a democracia e a paz duradoura no mundo a menos que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens para influenciar o desenvolvimento em todos os níveis da sociedade.

Tawakkul Karman é mãe de três filhos, nasceu em Taiz, no Sul do Iêmen. É jornalista, blogueira e cofundadora da organização Jornalistas Mulheres sem Correntes e é a primeira mulher árabe a ganhar o Nobel da Paz.

Seu pai foi Ministro da Justiça do governo de Ali Abdullah Saleh, o que não a impediu de lutar contra o governo. Semanalmente, organizava protestos pacíficos diante de edifícios estatais, rendendo-lhe algumas detenções.

Seus principais objetivos visavam a liberdade de expressão, libertação dos presos políticos, direitos das mulheres e o afastamento do presidente do Iêmen, o que ocorreu em 2012.

Karman é um paradoxo. Usa o véu islâmico e cobre o corpo com uma longa túnica preta tradicional. Ao mesmo tempo, é enérgica e corajosa ativista pela democracia e pelos direitos humanos no seu país.

O Iêmen, até hoje, sofre com a miséria, rivalidades tribais, terrorismo e separatismo, em guerra civil desde 2015. O sonho de Karman: O Iêmen será um país civilizado e pacífico, vamos surpreender o mundo.

Leymah Gbowee é mãe de seis filhos, nasceu na zona central da Libéria. Mora atualmente em Acra, capital de Gana. Sua premiação, segundo o Comitê do Nobel, foi por mobilizar as mulheres para além das linhas divisórias étnicas e religiosas para colocar fim à longa guerra na Libéria, e para assegurar a participação das mulheres nas eleições.

Ela organizou o movimento de paz que colocou fim à segunda guerra civil da Libéria, em 2003. O Movimento pedia o desarmamento de combatentes que, mesmo depois do acordo de paz para encerrar o conflito interno, ainda violentavam mulheres e crianças de todas as idades.

Durante essa guerra civil, ela trabalhou com crianças que foram meninos-soldados do exército do político Charles Taylor, mais tarde detido e acusado formalmente pela ONU por crimes contra a humanidade.

Trabalhou com mulheres cristãs e muçulmanas para reduzir as tensões entre liberianos filiados às duas religiões.

Desde 2006, é diretora-executiva da Rede Paz e Segurança – África, organização que trabalha com mulheres na Libéria, na Costa do Marfim, Nigéria e Serra Leoa.

Em meio a tanta violência, Gbowee diz que se qualquer mudança tivesse que acontecer na sociedade, isso teria que ser feito pelas mães. E ela faz a sua parte.

O protesto de 2003 culminou com a eleição de Ellen Johnson Sirleaf.

Mãe de quatro filhos e avó de oito netos, formada em Economia na Universidade de Harvard, sempre foi uma mulher de opiniões fortes, o que lhe rendeu a alcunha de Dama de ferro. Foi presa duas vezes.

Foi a 24ª presidente da Libéria, primeira mulher eleita chefe de estado de um país africano. Assumiu um país saído de 14 anos de guerras civis com um balanço de 250.000 mortos, sem estradas, sem sistema de fornecimento de água, sem eletricidade e sem exército.

O seu objetivo era acabar com a dívida e atrair investidores para a reconstrução do país, o que conseguiu em parte.

Sabia da necessidade de renovar a capital, melhorar o abastecimento de água e levar as crianças para as escolas.

A luta contra a corrupção esteve no centro da sua ação política. Seu governo foi conflituoso. Em janeiro de 2018, Ellen viu seu candidato à presidência ser derrotado e sofreu muitas críticas de seus opositores.

Pode ser que tenha cometido equívocos, mas lutou para fazer a diferença. Para estudar nos Estados Unidos, trabalhou como faxineira e garçonete e conseguiu mestrado em administração pública pela Universidade de Harvard.

Sua trajetória inclui uma passagem pela prisão e o exílio no Exterior, por sonhar

com um país desenvolvido econômica e socialmente, por desejar fortalecer a posição das mulheres e das famílias de seu país.

Entre erros e acertos, vemos que essas mulheres não se calaram, foram à luta e fizeram a diferença no lugar onde Deus as colocou, como trabalhadoras para o bem dos Seus filhos.

 

Referências:

www.dw.com/pt-br/tr%C3%AAs-ativistas-dos-direitos-da-mulher-dividem-o-pr%C3%AAmio-nobel-da-paz/a-15443829

www.oglobo.globo.com/mundo/saiba-mais-sobre-tawakkul-karman-leymah-gbowee-ellen-johnson-sirleaf-ganhadoras-do-nobel-da-paz-274314

www.portalimprensa.com.br/noticias/internacional/60475/jornalista+iemenita+vencedora+do+nobel+da+paz+e+impedida+de+entrar+no+egito

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